"O QUAL NÃO
COMETEU PECADO, NEM DOLO ALGUM SE ACHOU EM SUA BOCA".
(1 Ped. 2:22)

Ele sofreu sendo inocente
Nos versos que agora principiam, o olhar gira de um lado para outro:
dos escravos sofredores para CRISTO, e do CRISTO padecente de volta
para os cristãos. O quadro de CRISTO a sofrer surge não
só como exemplo que anima, mas brilha também em toda a
sua grandeza divina, livre de qualquer pecado: vós, escravos,
sois, na verdade, insultados por supostas faltas que nem mesmo cometestes
(2:19); CRISTO, entretanto, muito, muito mais do que vós, esteve
livre de qualquer culpa. Agora, certo, batem-vos (2:20) como se houvésseis
falado com insolência, quando de Sua boca jamais se ouviu uma
palavra depreciativa, inveridica ou odiosa. Lutais, por ora, contra
os vossos defeitos (2:11). A declaração da impecabilidade
de CRISTO tem a função, na presente passagem, de mostrar
que os sofrimentos de CRISTO não foram causados por ele mesmo;
ele sofreu, sendo inocente. Portanto, um cristão escravo de outro
homem, ou mesmo um cristão qualquer, não devem pensar
em escapar aos sofrimentos meramente porque são inocentes. Os
sofrimentos, pois, não são sinais necessários da
punição divina devido a algum mau cometido.
Podem ser apenas o resultado dos pensamentos e dos feitos de homens
impios e desvairados, contra pessoas inocentes. DEUS, a despeito de
tudo, obterá a vitória; e não há necessidade
de idéia que os cristãos serão protegidos do sofrimento.
Antes, passaram por tudo e triunfarão, tal como CRISTO fez, porquanto
DEUS os justificará, e à causa que defendem.
"DESIGNARAM-LHE A SEPULTURA COM OS PERVERSOS, MAS COM O RICO ESTAVA
NA SUA MORTE, POSTO QUE NUNCA FEZ INJUSTIÇA, NEM DOLO ALGUM SE
ACHOU EM SUA BOCA".
(Isa. 53:9).
Clarissíma demonstração da impecabilidade de CRISTO,
o que não é tema incomum nas páginas do N.T.
Os judeus zombavam dos cristãos e afirmavam que os sofrimentos
de CRISTO eram merecidos, porque ele era um indivíduo blasfemo
e praticante das artes da magia negra, que aprendera no Egito. Os primitivos
cristãos mantinham que os homens bons necessariamente sofrem.
O sofrimento nem sempre resulta da prática do mal, como punição
contra a mesma. A declaração sobre a impecabilidade de
CRISTO deve ser compreendida como algo mantido a despeito de provocar
circunstâncias adversas. CRISTO manteve a sua inocência,
sob os sofrimentos mais terríveis. Os cristãos devem seguir
seu elevado exemplo. Quando foi maltratado, e finalmente perseguido
até a morte, CRISTO não proferiu uma única palavra
amarga contra os seus adversários, e isso se deveu ao fato que
lhe faltava totalmente o espírito de ódio e de amargura,
que faz parte da natureza de todos os homens.
Portanto, a história mostra-nos que nem todos os mártires
sofreram quietamente, como fez JESUS, mas antes, proferiram palavras
ofensivas contra os seus perseguidores. Até mesmo o apóstolo
Paulo chegou a deslizar para essa forma de ação.
"ENTÃO, LHE DISSE PAULO:
DEUS HÁ DE FERIR-TE, PAREDE BRANQUEADA!
TU ESTÁ AÍ SENTADO PARA JULGAR-ME SEGUNDO A LEI E, CONTRA
A LEI, MANDAS AGREDIR-ME?"
(Atgos, 23:3).
CRISTO JESUS, entretanto, estava isento desses defeitos e dessas paixões
bem humanas, pelo que também não exibiu amargor nem nesta
vida e nem mesmo na hora da morte. Não obstante, sofreu; e assim
deve suceder a todos os cristãos, a despeito do elevado grau
de perfeição que tenham obtido em sua inquirição
espiritual. CRISTO não tratou astuciosamente com os homens; mas
tudo fez para beneficia-los. Contudo, eles o perseguiram até
à morte.
Desse modo é que Pedro mostra aos verdadeiros cristãos
a necessidade de não esperarem boas-vindas, bom acolhimento,
da parte deste mundo vil, hostil contra a causa cristã. Seria
este mundo um amigo da graça, ajudando-nos a subir na direção
de DEUS?
A impecabilidade nas palavras é um dos sinais da perfeição.
"PORQUE TODOS TROPEÇAMOS EM MUITAS COISAS. SE ALGUÉM
NÃO TROPEÇA NO FALAR, É PERFEITO VARÃO,
CAPAZ DE REFREAR TAMBÉM TODO O CORPO".
(Tia. 3:2).

FONTES: Bíblia Sagrada
Livros: Epistola 1 Pedro
Introdução e Comentários
N.T. Interpretado.
(Wilson de Oliveira Carvalho)