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Andarilho
Como os pingos da chuva
Molham as cavernas;
Como o limo das pedras
Fecha os meus olhos
Incontidos, feito abrolhos
Que hao de emergir.
Bendito verso em tua alcova
Tomara Deus que nao chova
E o amor, maior que o porvir.
Bradam, pois, teus seios nus:
Inquietos passaros arquejantes
Cumplices de nos mesmos
Sob aquele ceu brilhante,
Arauto de todas as luzes:
Sao estrelas, sao urzes
De um velho idilio.
Enche-se de gozo o momento
Sob a vergasta fina do vento
Em teu corpo andarilho.
Por isso, na impaciencia
De transpor sendas na areia
Pisamos os cardos
Que o amor semeia.
Bendito verso em tua alcova
Tomara Deus que nao chova
E deixe esse corpo relaxar.
Um beijo em tuas costas
Beijo em tuas maos postas
O meu jeito de te amar!...
(Achel Tinoco)

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