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Técnica Vocal

Considerações Iniciais

 

 

"... é indispensável para um cantor, conhecer bem o seu instrumento de trabalho, pois, desde o princípio deve aprender a manejá-lo devidamente, se quiser colocá-lo a salvo de sérios danos, ou mesmo evitar de perdê-lo definitivamente." MADELEINE MANSION. Informamos que o processo de aprendizagem vocal se inicia na mais tenra infância, por imitação principalmente aos nossos pais e que os exercícios apresentados neste espaço não substituem, em nenhuma hipótese, uma aula com um professor. O Canto Coral é uma atividade disciplinadora e socializadora por excelência, cuja característica principal é a união, além de muito desprendimento físico, moral e social do grupo. Isto se aplica também ao Regente que por ter alunos seguindo suas indicações assume uma enorme responsabilidade pois tem nas mãos:
  • Indivíduos diferentes;
  • Com Corpos diferentes;
  • Com Estruturas ósseas, musculares, etc. - D I F E R E N T E S!


LEMBRE-SE - Se desejar fazer comentários, surgir nomes, inserir algum texto com assuntos ou tópicos que possa complementa esta seção - fale conosco!

Preparamos várias listas, na seção partituras, com acervo próprio disponibilizadas para trocas, onde podem ser encontrados arranjos sacros, clássicos eruditos, populares para banda de música, coral nos mais variados graus de dificuldades tanto para o grupo quanto para o regente. Confira na seção partituras.

Nosso principal objetivo será iniciar um processo de troca de idéias entre cantores, professores de canto e outros profissionais da voz. 

O Canto Coral é uma atividade disciplinadora e socializadora por excelência, cuja característica principal é a união. União na fusão das vozes, na harmonização dos sons e dos ritmos, na comunhão dos sentimentos e interesses. Já os gregos reconheciam a sua importância na educação musical, dando ao Canto Coral lugar de destaque entre as Artes.

O valor da prática do Canto Coral pode ser apreciado sob vários pontos de vista, entre os quais destacamos os seguintes:

Físico - pelo treino de distribuição do ar e capacidade respiratória; desenvolvimento dos pulmões; circulação do oxigênio no organismo; controle dos nervos e dos músculos; flexibilidade dos órgãos de fonação; desenvolvimento da inteligência e do raciocínio; aperfeiçoamento do sentido auditivo.

Moral - ajuda a formação do caráter pelas idéias sãs e generosas contidas nas canções.

Social - como elemento associativo, ensina a respeitar as partes da composição interpretadas por outros grupos de vozes; ensina a ter consciência da própria importância e responsabilidade dentro do grupo, submetendo-se a uma direção sem perda da personalidade. "Todos os povos fortes sabem cantar em coro", Roquete Pinto.

Para isso abordaremos temas como:

Aquecimento, postura, respiração.
Desaquecimento vocal, você o conhece e/ou sabia que existe? ! !
Identificação de possíveis problemas vocais.
História do Canto Coral
Técnica vocal.
Saúde vocal.


MADELEINE MANSION, a quem acompanhamos nesta exposição, diz, em outras palavras, que é indispensável para um cantor, conhecer bem o seu instrumento de trabalho, pois, desde o princípio deve aprender a manejá-lo devidamente, se quiser colocá-lo a salvo de sérios danos, ou mesmo evitar de perdê-lo definitivamente. Isto se aplica também ao Regente de Coral, e, talvez com muito mais razões ainda, ao Professor de Música, que nas escolas dirige um orfeão,(entenda-se por orfeão - S. m. 1. Sociedade cujos membros se consagram ao canto coral, com acompanhamento ou sem ele. 2. Coro (ô); fonte: Dicionário Aurélio) em que, praticamente, a totalidade dos seus componentes desconhece a técnica do canto, guiando-se exclusivamente pelas indicações do seu mestre, que assume assim, uma responsabilidade enorme quanto ao tratamento adequado a ser dispensado ao aparelho vocal dos seus comandados.

Atualmente com o aumento da competitividade em todos os campos, uma boa apresentação se torna ferramenta para o sucesso profissional e em outras áreas. Nossa voz faz parte do conjunto de elementos em que se baseiam nossos interlocutores para formarem suas opiniões e assim nos abrirem portas.

A Técnica Vocal se torna então um importante instrumento para o bem estar e realização pessoal do ser humano.
O som que se forma nas cordas vocais (também conhecida como pregas vocais) é tênue e sem vida, como o som de uma corda de violão que fosse esticada em um local que não o instrumento. A coluna de ar que vem dos pulmões, transporta a vibração das cordas para nossos ressoadores naturais e estes por sua vez vibram e projetam no meio ambiente o som amplificado e com as articulações próprias da fala.

 

A semelhança agora se faz com a caixa de ressonância do violão, que é aquela parte de madeira grande, que tem a boca em geral redonda por sob as cordas. Por possuir uma grande área, ela consegue amplificar o som das cordas e emprestar outras qualidades como timbre, harmônicos, projeção. Nossos ressoadores naturais são principalmente as partes rígidas do crânio e com menor importância o tórax. Interferem também no som ouvido, os órgãos de articulação, como língua e lábios, por exemplo.

Como já dissemos nosso processo de aprendizagem vocal se inicia na mais tenra infância, por imitação principalmente aos nossos pais. Estes por causa do convívio estreito se tornam nosso maior modelo e a qualidade deste modelo influencia decisivamente na nossa qualidade vocal (Quantas vezes você se confundiu ao telefone, ao ligar para o domicílio de algum amigo(a) e não saber por um instante exatamente com quem falava?).

Este modelo contudo, pode ser trabalhado e aperfeiçoado de maneira a fazer com que nossa emissão vocal seja otimizada, resultando em maior qualidade e beleza da voz falada e cantada, bem como possibilitar a reversão de patologias geradas pelo mau uso da voz.

Nosso aparelho fonador utiliza por empréstimo outros órgãos de nosso corpo (laringe,pulmões - aparelho respiratório; crânio - esqueleto; boca, dentes, língua - aparelho digestivo, etc.), por isso apresenta especificidades e fragilidades que nos requerem cuidados.


Devemos evitar por exemplo:

O que evitar
Motivo
Bebidas excessivamente quentes
Lesionam tecidos
Bebidas e alimentos excessivamente gelados
Causam ressecamento das mucosas e lesões
Fumo e outras drogas
Ressecamento das cordas e graves distúrbios fisiológicos alteram a produção de muco
Bebidas alcoólicas, principalmente destilados (uísque, vodca, pinga e inclusive o conhaque)
Anestesia a região e esconde lesões
Refrigerantes Ressecamento das mucosas ,estimula produção de muco, pigarro
Alimentos excessivamente ácidos Lesões e ressecamento



Bem como:

  • Gritar;

  • Sussurrar;

  • Competição vocal (falar cada vez mais forte em locais com intenso ruído. Muitos usam dizer: falar alto. Mas alto e baixo em música refere-se a altura sendo no caso o parâmetro correto intensidade, ou seja, forte ou fraco. Você encontrará mais terminologias musicais no dicionário musical);

  • Falar ininterruptamente e com ansiedade;

  • Pigarrear;

  • Exposição prolongada a agente alérgenos;

  • Uso prolongado de ventilador e ar condicionado, os aquecedores de ar (diminuem a umidade relativa do ar);

  • Poluição;

  • Procure dormi bem (uma noite bem dormida é muito importante, principalmente em véspera de show);

  • Evite recursos como balinhas de hortelã, mel, pastilhas, spray local e gengibre (mascaram a dor do esforço vocal, dando uma falsa sensação de melhora, prejudicando ainda mais o estado das mucosas);

Com o surgimento ou recorrência de problemas como dor, rouquidão e cansaço vocal crônicos, procure auxílio profissional imediatamente, não deixe para depois. Atividades de risco para a voz, como por exemplo a docência, exigem ainda maiores precauções. Procure dormir bem, tomar bastante água, economizar a voz e travar conhecimento com os preceitos da técnica vocal. Cantar sob orientação técnica também é uma grande pedida. Não perca tempo, venha cantar também.

Fonte:Coral da Faculdades de Letras da UFMG / FALE/ (www.letras.ufmg.br/coral)


HISTÓRIA DO CANTO CORAL

Texto: Eduardo Fonseca
 

O Coro é o mais antigo entre os grandes agentes sonoros coletivos. Antigos documentos do Egito e Mesopotâmia revelam-nos a existência de uma prática coral ligada aos cultos religiosos e às danças sagradas. O termo Chóros possui um sentido bastante amplo e com o decorrer da história passou por diversos significados. Em sua origem grega, Chóros, representava um conjunto de aspectos que, somados, iam ao encontro do ideal do antigo drama grego de Ésquilo, Sófocles, e Eurípedes. O conjunto consistia em Poesia, Canto e Dança. O Cristianismo antigo o adotou com outros sentidos, passando para o termo latino Chorus que significava o grupo da comunidade que canta ou a abside (recinto poligonal em que termina o Coro da igreja) junto ao altar, separada da comunidade pelas cancelas e mais tarde também denominada o lugar onde se coloca o órgão.

A estrutura a mais vozes, porém deve ser distinguida sob dois diferentes aspectos, isto é, sob o ponto de vista de procedência e sob o ponto de vista de objetivo. O Cantus-Planus, como representante do canto monódico, mesmo sendo executado por um Coro e a música Figuralis, como representante do canto a mais vozes que mais tarde, assume uma técnica mais rebuscada e artística. O elo que une os dois é que o primeiro serviu de ponto de partida, de fundamento para o segundo, isto mais ou menos pelos séculos VII e VIII, quando surgiu uma polifonia “aparente” com o organum, executado em quintas paralelas, tendo por base o Choral que se impôs como Cantus Firmus. Somente no século XI é que o sentido polifônico assumiu uma característica mais independente, mais polifonia real, que apesar de dos ritmos semelhantes ousava enfeitar o Cantus Firmus. Surge então o Cantus Floridus, que quebrou a monotonia, assumindo papel mais independente, inclusive ritmicamente. Iniciava-se o Contraponto. Deste modo, realizou-se no século XII a primeira reforma coral.

Com uma estrutura a três vozes o coral atingiu seu apogeu no século XIII principalmente na Escola Parisiense de Notre-Dame. Com o desenvolvimento da técnica coral novas formas apareceram, onde se estabeleceu a tão comum estrutura a quatro vozes. Apareceram três formas corais distintas: O Conductus, que possuía forma mais festiva; o Rondellus, uma espécie de cantiga de roda; e o Motetus, que das três era que possuía maior originalidade e consequentemente foi a que mais se desenvolveu. Mais tarde, já no século XIV com Guilamume de Machaut, aparece a Missa, onde eram catadas as principais partes da missa católica - Kyrie, Gloria, Credo, Sanctus com Benedictus, Agnus Dei.

Na Grécia

Na antiga Grécia o coral já é uma organização perfeitamente estabelecida e a ele é dado a maior importância em todas as funções sociais. Deixa de ter caráter exclusivamente religioso e passa a fazer parte de festas populares e orgias pomposas. Tem vida própria e passa a ser considerado como uma das mais elevadas expressões do ser humano. Segundo os historiadores, a lírica coral recebeu um grande impulso de Stesicoro, de Meauro, também conhecido como Tisias e a ele se deve a origem do coro. A Arion se atribui a criação do dethyrambo coral artístico, do qual se originou a tragédia. O coro era chamado de circular porque evoluía em torno da estátua de Dioniso. Em Athenas o recrutamento, vestuário e instrução de um coro era um serviço público imposto pelo estado a todos os cidadãos que tivessem condições para mantê-lo. A música cantada ocidental, foi primeiramente sistematizada pelo Papa Gregório I (590 - 604) e batizada com o nome de "Canto Gregoriano". A característica do canto gregoriano ou cantochão é a sua riqueza melódica e a ausência de polifonia. É cantado uma única melodia em uníssono e tem o ritmo livre, adaptando-se fielmente aos textos litúrgicos.

 

Em Roma

Os romanos eram um povo que estava ligado diretamente às guerras e as conquistas. Não inventaram nenhum instrumento, limitando-se a copiar tudo o que havia encontrado em suas conquistas. Tinham preferência pela flauta utilizada em solenes tiros divinos, bem como nas suas orgias - longínquos precursores do Carnaval. Sua cultura artística foi introduzida pelos escravos trazidos de suas inúmeras batalhas. Foram instruídos pelos gregos e adotaram os princípios da estética. Em 336 a. C. apareceu pela primeira vez em Roma as Pantominas Etruscas, sucessoras do teatro grego nos quais comum era a música. Aos poucos o teatro romano adquiriu um caráter mais satírico e popular. O Coro era de grande importância na tragédia latina.

O coro cristão

Nasceu nas catacumbas de Roma sob o nome de "Cantochão" (cantus planus). Como sempre da necessidade de unir esforços, que os partidários da nova doutrina entoavam à divindade, pedindo auxílio para a sua causa, e coragem para a luta sem tréguas onde o ideal cristão haveria de vencer. Os primeiros cristãos não conheciam uma melodia capaz de expressar a pureza de seus sentimentos, nem tão pouco um som que se prestasse às suas preces. Em 54 d.C., o apóstolo Pedro chegou a Roma, trazendo do Extremo Oriente estranhas melodias de triste beleza e casto entusiasmo. Essas melodias estavam estritamente ligadas aos cânticos sagrados dos judeus e seu espírito penetrou de vez nas antigas melodias. Somente quando o Imperador Romano Constantino se converteu ao catolicismo, a música cristã conquistou sua liberdade.

Coral protestante

Lutero (1483 - 1545), era frade agostiniano devoto de Santa Ana. Rebelou-se contra a ostentação do luxo e as indulgências na igreja católica . Em seu livro “Liberdade Cristã” publicou suas 95 teses que provocou a revolução religiosa. Lutero era músico e percebeu que através dela poderia organizar e propagar em toda Alemanha melodias populares e o canto gregoriano com o repertório da língua alemã, com o objetivo de que os fiéis entendessem o que estava sendo cantado e compreender bem o que dizia. Sua primeira coletânea apareceu em 1524 "Enchiridion" correu o mundo criando novos adeptos a sua doutrina . O concílio de trento (1545 - 1563).

O Concílio de Trento foi convocado pelo Papa Paulo III. Era uma reunião de legados papais, bispos e teólogos realizada pela Igreja Católica. Dentre as diversas medidas e posturas tomadas para combater o protestantismo, o Concílio inicialmente proibia a música polifônica na igreja, pois a polifonia confundia os fiéis e os textos litúrgicos estavam passando para segundo plano. Mas graças a genialidade de Alessandro Palestrina na sua composição "Missa Papae Marcelli", dedicada à sua Santidade, seu protetor. Somente a música profana que foi banida da igreja católica. Conta a lenda que numa noite os anjos desceram do céu ao seu quarto, situado no sótão de um dos prédios mais altos de Roma, perto da Catedral de São Pedro, e entoaram uma maravilhosa polifonia. Palestrina, com as mãos trêmulas, simplesmente se limitou em transcrever o que escutava.

Somente a partir do Séc. XV é que o Coro começa assumir a estrutura que é adotada atualmente. Evidentemente, esta estrutura tem suas raízes e práticas nos tempos que a precederam. A prática antiga já estabelecia que qualquer agrupamento, por menor que fosse, tinha que ser conduzido em unidade por alguém que mantivesse e guardasse essa unidade. Isso já era constatado desde o “Chóregos” grego com sua responsabilidade de condução, passando pelo “Magister” na igreja da baixa Idade Média. O desenvolvimento processa-se com uma série de mudanças e reformas. Em 1324 aparece o cânone “Summer is incumen in” na Inglaterra. Era uma sonoridade estranha para os padrões da época, mas que contribuiu de maneira decisiva para o desenvolvimento posterior do coro. Em 1330 aparece pela primeira vez uma missa completa a mais vozes - “Missa de Tournais” e a missa de Machaut de 1364.A prática coral foi cada vez mais se desenvolvendo e se desligando do Clero. Irmandades foram surgindo no sentindo de dedicar-se a música. Inicialmente, somente a música sacra era permitida, mas aos poucos a música profana começou a fazer parte. Para essas irmandades, o importante não era somente cantar, mas também de estudar. Estabeleceram-se escolas de canto e os grupos eram formados por “Dormitoriales” - que dormiam nas escolas e que também eram responsáveis pelos serviços da igreja, e por grupos externos de amadores.Os Coros de escolas também assumiam compromissos com o canto coral e figural. A expressão máxima da forma coral é atingida no alto Barroco com J.S.Bach e Haendel. A “Paixão” e a “Cantata”, são juntamente com o “Oratório”, os gêneros mais cultivados. A função do coro não era mais exclusivamente litúrgica, encontrando-se bem afastada de sua origem. A partir dessa época criam-se associações de canto e outras agremiações congêneres que visavam a prática do canto coral, agora no terreno profano. A partir daí inúmeras escolas, fundações, conservatórios, são fundados visando a restauração e renovação da prática coral.No Séc. XIX, o canto coral passa a ser disciplina obrigatória nas escolas de Paris. Nessa mesma época surge a idéia dos Festivais de Música. A prática coral assumia agora, um caráter e compromisso mais social. O Séc. XX aprimora certas práticas e tenta voltar às origens de cada estilo, procurando através da pesquisa, não falsear o espírito da época em que a obra foi criada. Cada obra de arte é um espelho de sua época.

Antes de encerrarmos o capítulo sobre a história do canto coral, é importante ressaltar que em épocas passadas os Coros eram mantidos e estimulados pelos Reis, pelo Clero e pelas pessoas mais abastadas. Este apoio visava manter os grupos de música para as festividades locais e para disseminar a doutrina religiosa, atrair e integrar os fiéis às igrejas. Também foi o elemento principal do acervo musical presente em nossos dias. A Igreja foi responsável pela conservação e divulgação da música erudita através dos tempos.

Fonte: www.luteranos.com.br/coral

 
 



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