SE EU
PUDESSE ACREDITAR EM ALFREDOS Bárbara
Helena
E se ele trouxesse uma
orquídea branca?
E se soubesse fazer cócegas na sua orelha e arrepios na
sua espinha?
E se vocês casassem ao som de jazz, no meio do gramado,
tendo as árvores por testemunha?
E se fossem pobres como Jó e ele
trouxesse no seu aniversário os livros que você mais namorava, encapados com o
papel laminado e colorido do carinho?
E se no dia em que seu pai
estivesse doente no hospital e você mais triste ainda porque não ia poder
comprar o presente que sua filha pedira, ele chamasse você no carro e lá
estivessem o pequeno rodo e a vassourinha que iam fazer a alegria da criança
amada?
E se quando você fosse pagar a conta no restaurante, o garçom
avisasse que o Doutor já pagou e ele olhasse de longe com aquele sorriso torto e
você pensasse que ia morrer de alegria e vergonha?
E se você chorasse no
telefone, cansada com as mesquinharias da vida, porque várias lâmpadas queimaram
e ele mandasse, de surpresa, um mensageiro entregar na sua porta um pacote
enorme, cheio de lâmpadas de todos os feitios e tamanhos?
E se quando ele
atravessasse a calçada você pensasse, com o coração na boca, que era ao seu
encontro que ele vinha com aquele andar em câmera lenta, aquela sensualidade
felina, aquele sorriso de febre?
E se ele tocasse contrabaixo só para
você? E piano? E mandasse um mensageiro entregar um CD que ouviu na loja e
comprou porque era a sua cara e tinha certeza que você ia gostar? E se você
gostasse tanto que nunca mais conseguisse deixar de ouvir este CD, mesmo depois
que o tempo desbotou o amor?
E se a morte roubasse duas vezes,
inesperadamente, os homens da sua história?
Você acreditaria em
Alfredos?
E que é a felicidade e não o engano quem bate outra vez na sua
porta?
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