OUTRA VEZ, AINDA
Em frente à televisão
o pijama tem listras
( a presença de Deus é
sempre incerta )
um fio de cabelo
cai sobre o tapete
e dentro do
chinelo
coça o pé
( existir esse risco absoluto )
Sobre a cadeira a mão
fechada escreve
uma palavra que nunca vai ler
O olho distraído
percorre
o brilho aflito da TV
e a boca que, no canto,
ainda tem esperança de um
espanto
manda mais uma vez
e outra vez mais
um recado qualquer para
ninguém.
|