O QUE É ISTO? Bárbara Helena
- Alfredo,
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- Eu sei que tu não prestas. Sei que és
safado, mentiroso, enganador. Sei que a cachaça, as mulheres e o
jogo são o pai, o filho e o espírito santo da tua ladainha. Sei
que nunca estás lá quando eu preciso. E que não vais mudar por
mais que eu peça. Sei que no carnaval morri mil vezes por conta
dos teus caprichos. Quando sumistes com a piranha da Ercília na
Avenida sei bem aonde foram, sei bem fazer o quê. E ainda
jogastes charme pras peruas paulistas no camarote. Como se eu
fosse invisível. Como se não pudesse ver teu fogo com a
Domitila. Tuas escapadas com a Sharon, teu caso antigo com a
Laurinda. Sei que trabalho é coisa que sempre evitastes para não
atrapalhar a sinuca e o carteado. Sei que de todas as mulheres
sou mais uma, embora digas que sou a principal. Sei que estou
condenada. Eu sei que já perdi.
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- Não sei porque meu corpo não esquece. Não
sei porque só tua pele me enlouquece. Não sei porque só tua
força me enfraquece. Não sei porque só tua boca me sacia. Não
sei porque só tua ginga me desvia do caminho traçado que
escolhi.
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- É o teu Não Sei Quê, Alfredo. Ninguém no
mundo tem igual.
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- Teu Não Sei Quê é minha perdição.
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- Mas quando eu descobrir o teu segredo, me
aguarde na quebrada. Pois todas as baianas vão rodar. E todos os
tambores vão tocar.
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- Aí teu Não Sei Quê vira O que
é Isto?
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