Na
Contramão
Bárbara
Helena
Amei na Via Expressa, tranqüila, saboreando o
espaço e a sensação.
Amei por becos tortuosos, me perdendo nas
marchas.
Amei com pouca gasolina e muito
álcool.
Amei de mão única e sem direção.
Amei na marcha lenta e acelerada.
Pisei no freio muitas vezes quando devia
acelerar e acelerei na curva,
me quebrei nos postes da indiferença.
Amei como principiante, hesitando nas setas e
como piloto experiente
atropelando avisos.
Amei sem placas, sem sinalização.
Ultrapassei barreiras, dei trombadas muitas, me
feri nas quebradas, me arranhei nas esquinas.
Perdi pedaços no percurso, quebrei espelhos,
parti vidros, estilhacei faróis
que apontavam rumos.
E, depois disso tudo,
ainda insisto em andar na contramão.
É que a mão que me indicam é tão estreita. É que
mão a seguir é tão sem brilho.
É que a mão que escolheram pra mim não tem
saída.