Maria Helena Bandeira

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                                        O amor e a paixão

 

           O amor e a paixão – farinha do mesmo pote: o coração. O amor toca o divino, a paixão consome o humano.

          O amor semeia, a paixão devora. O amor aglutina, a paixão dispersa. O amor é seguro e confia. A paixão é intranqüila e delira.

          O amor deseja, a paixão alucina. O amor é mar: flui e reflui, é sístole e diástole. A paixão é fogueira: tem seu tempo e o consome.

          O amor é produtivo, a paixão resseca. O amor dança, a paixão sapateia. O amor quer dar, a paixão receber. O amor troca, a paixão toma. O amor é luz, a paixão claro-escuro.

          A paixão é relâmpago e o amor é céu, a paixão cometa, o amor estrela, o amor tapete, a paixão, corda. O amor sapato, a paixão, brinco.

         O amor é acolhedor, a paixão sôfrega. O amor abrange, a paixão circunscreve. O amor é colheita, a paixão, pesca.

         A paixão é furtiva, o amor constante. A paixão adoece, o amor cura. A paixão enlouquece, o amor tranqüiliza. O amor é triste, a paixão crespa.

         O amor beija, a paixão morde. O amor soluça, a paixão range os dentes.

         O amor é doce, a paixão ácida. O amor se funde, a paixão se mistura.

         O amor é corte, a paixão, ferida. O amor é laço, a paixão, nó. O amor, liso, a paixão, áspera. O amor é sólido, a paixão se rasga.

         O amor é terra e a paixão poeira. O amor é brisa e a paixão vendaval.

         O amor é carinhoso e a paixão também.

         O amor é ferro, a paixão é lata. O amor canta, a paixão é rouca. O amor cala, a paixão discursa.

         O amor conhece o toque – a paixão o adivinha.

         O amor intui, a paixão desconfia. O amor é fiel, a paixão obsessiva.

         O amor acaricia, a paixão fere.

         O amor adere, a paixão dilacera.

         O amor dói, a paixão mata.

 Maria Helena Bandeira

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