Velozes

 

Farto-me de fumar. Estou estranho...

Nunca vi, de tão grande tamanho,

Pensamentos correrem dentro de mim.

Parece-me uma auto-estrada sem ter fim,

Por onde carros alcançam tamanha velocidade.

 

Não lhes intercepto o caminho. São velozes!

Tenho medo? Não sei... parecem soltar vozes

Que encalham o meu agir. A solução...

Não percebo qual a meta! Para onde vão?

Tão rápidos, porquê? Qual a ansiedade?

 

Parecem-me ter perdido a simplicidade

Numa qualquer curva de má visibilidade.

Não parecem sequer ter qualquer destino...

Mas correm para algum lugar que não defino

Nos meus estranhos sentidos de percepção!

 

Correm como loucos! E não param, nem abrandam!

Tomara que algo os fizesse parar onde andam,

Para os poder observar. Para lhes poder perguntar;

“Porque existem em mim? Porquê tanto desgastar?

Saberão, talvez, que me gastam também! Ou não?”

 

Mas não param! Não abrandam. Só seguem

Em tais correrias que, suponho, não entendem

Também eles, a causa. Mas esgotam-me o pensamento!

Nada concluo. A destino nenhum chego, em padecimento,

Por nenhuma resposta obter. Só peço, agora, então...

 

Parem... Parem de correr!
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