Sombra

 

Passo a rua vazia e escura

Vendo a vida andar torta,

E ao passar de cada porta

Adicionam-me amargura.

 

Percorro cada esquina...

Cada passeio piso pesado.

Evoco o passado. Afasto o passado.

Puta de vida que é sempre menina!

 

Adolescente. Inconsciente...

Futuro que pareces distante,

Só tu te aparentas constante

Numa vida que vive demente.

 

Só no escuro encontro o meio

Que procuro sempre sem fim.

Pintado no chão está, diante mim,

Em forma de amor, porém feio,

 

Um coração sinalizado,

Que à luz de um alto lampião,

A sombra projecta no alcatrão

Tudo o que tenho procurado.
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