Sinto-te

 

Em Coimbra

 

Os dias passam vagarosos...

As noites parecem intermináveis...

Os pensamentos tornam-se repetitivos,

As lembranças insuportáveis.

 

O cigarro queima-se por si...

A minha visão cola-se algures...

Suspiros seguidos e incontroláveis,

Despertam-me a alma, e a minha memória.

 

A chuva cai forte no telheiro de zinco,

Acorda a vizinhança no terceiro sono.

O coração palpita bem forte

E desperta a saudade que sinto de ti.

 

A cabeça batuca repentinamente.

Os olhos enxaguam-se de salgadas lágrimas.

O grito não sai. Só choro em silêncio.

Deito-me no escuro do quarto em que durmo.

 

Dou voltas na cama.

Mordo o lençol.

Encharco a fronha...

E choro... choro.

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