Senhora Altiva
Quem te viu nascer mourisca
Não te sonhava altiva,
E cá quem passa lava a vista
Com teus olhares de diva.
Tão depressa que te fogem
Para além da quarta légua.
Mas no regresso te acolhem,
Senhora de esquadro e régua!
Deitada ao longo do vale,
A braços com o Tejo,
Dona dum sonho real...
Antiga senhora do Ribatejo.
Calças de prata as águas
Que beijam teu vestido verde
Da Alfarrobeira das mágoas,
Criadas por D. Pedro...
Quiseste tu ser um dia,
Cinzenta cor de tristeza,
Mas em ti reina a alegria,
A vivacidade e a beleza.
Das ruínas que te criaram,
Controlavas a piedade.
Dos peregrinos que a cá marchavam,
Levavam sempre saudade!