Se a noite fosse fria

 

(Adaptação de

“Se ao menos houvesse um dia”, João Monge)

 

Se a noite fosse fria

Perto de ti me aquecia

Entre lençóis de flanela.

E depois de cada abraço,

Entrelaçássemos num laço,

Como num quadro sem tela.

 

Se a noite fosse fria

E expirássemos euforia

Entre os auges que desejas,

E depois do uníssono

Nos embrenhássemos num sono,

Na calma vida que latejas.

 

Se enquanto amanhece,

E lá fora o tempo aquece

Num presságio de saudade,

Nos lançamos em rituais,

Os corpos pedindo mais,

Numa eterna afinidade.

 

Se ao menos a sonhar

Tudo pudesse realizar

Com a força que me agarras,

Este poema será feito

Para, por ti, ser eleito

A cantar em noites de farras!

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