Portões largos

 

Talvez seja tarde – demasiado! -

Quando a morte abarca cedo,

E vem trazendo em segredo

A crua felicidade a seu lado.

 

Talvez seja cedo – demasiado cedo! –

Ver esvair-me entre torrões

Sulcados duma terra onde pões

Arduamente teu corpo azedo.

 

Tarde. Cedo. Cedro. Cipreste...

Vida de vida de cemitério!

Portões largos; ocultem o mistério

Da minha dura vida agreste.

 

Abertos, altos portões largos,

Confidentes dest’alma enterrada,

Mantenham por eterno afastada

Tal alma que em mim fez estragos.

 

E que siga por ela seu caminho.

Cedo. Tarde. Eternamente nunca!

Prossiga ele nessa espelunca

Efémero corpo – e sozinho!

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