Ó
toque da minha escola
Do poema "Ó sino da minha
aldeia"
de Fernando Pessoa
Ó toque da minha escola,
Doente em meus ouvidos,
De barulho singular
Põe-me os tímpanos durídos.
É tão roto o teu tocar,
Tão choro de velha garrida,
Que logo o primeiro toque
Acorda a mente adormecida.
Por tão longe que toques,
Com teu som, sempre irritante,
És para mim um desatino,
Quem me dera ver-te distante.
Mesmo que ande pela rua,
Longe do teu roncar,
Na mesma te oiço,
Sempre a chatear.