O porquê da dor

 

Gostava tanto de chorar

Por coisas sem razão,

Ou por não a ter.

Adorava poder soltar

O que me vai no coração,

Mas gritar e não escrever.

 

Então grito em surdina

Sem as lágrimas deixar sair

Dos olhos molhados de tristeza,

Ou d'alegria, desta sina

Que só sabe escrever e rir

Que não fala quando tem a certeza.

 

Oiço toda a gente a falar,

Desabafar, a sorrir para mim

Na esperança de me ouvir.

Mas a boca só me faz calar

E ouvir do princípio ao fim

Sem me deixar intervir.

 

Mas não consigo expulsar

O que me caminha em meu peito.

E então volto a escrever...

E mais um dia sem chorar.

E mais uma noite em que me deito

Com a dor causado pelo não saber.

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