Mima meu fado

 

Se eu lançasse um dia, ao mundo, meu chorar

E num segundo seguinte me esfumasse,

Dava tudo para ver, dum mundo que me tapasse

Do resto, o quanto por mim ouvia gritar.

 

Certo que pouco. Certo que nada.

Certo me mataria mais ainda, desgostado,

Ao saber que no mundo que tudo fiz, enganado,

O que deixei foi o vazio e a obra malfadada.

 

Prefiro, então, manter-me calado. Iludido...

Não choro. Não grito. Não fujo...

Permaneço neste mundo imenso e sujo,

Onde o meu mal a todos passa despercebido.

 

Prefiro ser louco e por todos aclamado,

Fingir o meu sorriso aos que o desejam.

Mas é quando fico só, num sítio que não me vejam,

Que a solidão me aparta e me mima o fado.

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