Mais fácil

 

Eu cá choro sempre parado,

À minha cama encostado,

Para que caia apenas meu pranto.

Mais fácil será encontrá-lo,

Que em qualquer outro canto,

Para quando quiser de novo chorá-lo.

 

Eu cá choro sempre a andar,

Por onde mais quero estar,

Para que caia o pranto na terra.

Mais fácil será esquecê-lo.

E assim não entro em guerra

Com o meu próprio flagelo.

 

Eu cá choro sempre a correr,

Por entre pedras a ferver,

Para que seque rápido a amargura.

Mais fácil será perdê-la,

Que em qualquer outra altura,

E então nunca mais revê-la.

 

Eu cá choro sempre a cantar,

Nas melodias que fazem chorar,

Para que a música alegre o poema.

Mais fácil será compartilhá-lo,

O que dificulta o meu dilema,

E que tão bem sabem escutá-lo.

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