Gasto

 

Estou gasto. Simplesmente acabado.

Aguardo o anúncio com ansiedade,

De que tudo está, finalmente, terminado.

Não morro velho. Estou na flor da idade.

Mas estou gasto... Deus quanto estou fraco!

 

A sanidade mental vejo-a minguar

A cada dia que me olho de manhã.

Era jovem e vivo. Era a Primavera a cantar!

Estou morto e velho, já não sei, sequer, pensar!

Vivo agora pendurado numa infelicidade sã...

 

Murmúrios solto entre as neblinas,

Confidentes secretas que agora guardo,

Todas as noites, junto das cortinas,

Que me cerram a luz como um resguardo.

Porque agora, em mim, só as trevas trago,

 

E só elas manejo com todo fervor.

Estou morto, velho, doente e gasto.

De que me vale o sorriso sem calor

Que lanço ao espelho. Logo me afasto!

Que as almas que penam não têm rasto...

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