Ergo

 

Jamais poderá alguém definir,

Tão melhor que eu, o significado

Duma palavra tão difícil de sentir,

Pelos outros de sentido tão errado.

 

Quem com ela vive, julgam louco,

Por adorá-la tão majestosamente.

Solidão, vive-se tanto e tampouco,

Num imenso mundo dolente...

 

Vivo eu nesse efémero mundo,

Mundano, imundo e insensato,

Mas feliz por ser único e profundo,

Espelho de mim e do meu abstracto.

 

Solitário, a mim mesmo me declaro,

Protegido pelas muralhas do meu ser.

Ergo, em mim, a força que amparo

Dum mundo que não me sabe entender.

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