Deste lado

 

Para lá da porta que acabei de fechar

Fica um mundo intenso,

Um lugar imenso,

Cheio de amor e de gente que sabe amar.

 

Deste lado, onde estou,

Fica um mundo solitário,

Que não alimenta o imaginário

De quem alguma vez amou.

 

É onde nasce o sol, deste lado,

De manhã, ainda frio,

E onde nasce de lágrimas um rio,

Água aquecida dum coração gelado!

 

Aqui a noite aparece em primeiro.

Filha do silêncio e da solidão,

Onde quem age é a recordação

De um amor que não fica prisioneiro.

 

E a recordação, maldita

Só me deixa chorar

E sofrer, e gritar

Mas ninguém ouve quem grita

 

Pois o grito é camuflado

Pelas alegrias do dia-a-dia.

E quando chega a noite fria

Torna-se o destino amargurado.

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