Café dos Teatros
Abóbadas vermelhas te sustentam
Entre portas altas envidraçadas
Suportadas por mármores degraus,
Por onde leve se dão passadas.
Almas boas. Corpos maus.
Tudo te passa. Todos te lamentam.
Das mesas quadradas e pretas,
Que com pretos e modernos assentos
Se sentam os corpos, maus e estranhos,
Onde eu escrevo os meus tormentos
E neles me envolvo. Neles me entranho,
Com um simples trocar de canetas.
Melhor que sítios longínquos, mares ou matos,
Onde a inspiração não finda,
Fico melhor, sem dúvida alguma,
A estas tardias horas, ainda,
Passadas das doze (confesso, quase uma)
Sentado numa mesa do Café dos Teatros!