Ao muro

 

Miro a fuga da vida, para trás,

Como uma estrada que se finda,

Já corrida, que me traz

A lembrança em que perduram ainda

 

Pedaços da tua figura, sozinha,

Esquartilhada num chão escuro.

Esqueço o resto. Tudo. A minha,

Pobre coitada, apenas lanço ao muro,

 

Imponente, forte e deslavado,

Na ânsia que tenho de me quebrar.

Sinto-me perdido, preso, apanhado...

Das ideias. Da ideias de me acabar.

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