Ao acaso
Ao acaso construí o mundo,
O qual ao acaso desmoronei.
Inundou-me o mal profundo,
Profano divino que criei.
Ao acaso deitei-me em águas,
De brilho cristalino e reluzente.
Ao acaso afoguei-me em mágoas
Tristes como eu sinto, somente.
Ao acaso deleito desapareci,
Deixando ao mundo a minha saudade.
E hoje, ao acaso aqui escrevi,
Na fonte da minha insanidade,
A carta que ao acaso vos deixei.
Poema que ao acaso irão ler,
Aqueles que por mero acaso me dei,
Que, por acaso, não mais me irão ver!