Afogo

 

Temo o avanço inverso do meu ser

O regresso ao obscuro passado choroso

Onde a luz faltava como o escurecer

Forçado pelo escorrer tempo rugoso

Diferente de hoje, e amanhã, tenebroso...

Desfolhado livro de beleza a desfalecer.

 

E à noite desprendo a alma apertada

Entre o peito e costas a sufocar...

Solto as pétalas negras da rosa encarnada,

Ainda cheirosa a veneno, duro de matar!

 

E à noite desloco o corpo ao nada

Entre o vazio que me ocupa o ser...

Solto gemidos dolorosos de fachada...

Todo o resto é pior. Faço esconder!

 

Por não querer ser fraqueza em ti

E a quem me vê por fora...

Sou confusão no sangue que corre aqui

Nas veias solúveis cor de amora.

Mas à tua vista, amor de outrora,

Sou a força da água que tudo afoga!

 

Bruno Torrão

29 Jun. 06

Hosted by www.Geocities.ws

1