Açucenas

 

Tardes amenas, de Primavera!

Tardes de açucenas, quem me dera

Que tão serenas em mim fossem,

Tão calmas em mim que fossem,

Tais amenas e doces tardes

Nas quais apenas ainda ardes

Em minha vista já cega

De um coração que não sossega!

 

Ó mente apaixonada! A minha!

Talvez machucada... Coitadinha!

Não faço por ti minha coitada.

Mente sem rumo, desnorteada,

Amargas em sumo de limonada!

És tão doce, açucarada...

Mas não te sustentas em nada!

E na minha cega vista, molhada,

 

Permaneces invicta! Intocável!

Como voz de anjos, inolvidável,

Dos tempos em que passámos

Abraçados ao mundo... Sonhámos!

Tanto que sonhámos, amor!

Tanto que sonhámos... Amor!

Lembro agora esses momentos,

Mergulhado em longos tormentos,

 

E encharco em mim a saudade!

Ó triste e dolorosa maldade

Que o tempo não quis apagar!

Inocente dor a atacar

A alma, o corpo, a mente...

Tudo à volta anda dormente

Por me esquecer das tardes amenas.

Primaveras tardes de açucenas.

Hosted by www.Geocities.ws

1