A morte do Anjo

 

Morreu o anjo da salvação.

Os sinos tocam na televisão,

Enquanto que na aparelhagem

Ouve-se a marcha fúnebre.

Ao longo do rio, na margem,

Deitam-se pétalas ao fundo.

 

Nas praças acendem-se velas.

Rezam-se orações nas capelas.

Todos choram a sua morte

À porta da casa onde vivia.

Todos esperam com sorte

De que venha a renascer um dia.

 

Nas noites de luar intenso,

Queimam-se paus de incenso

Para avivar a sua alma.

Pede-se saúde para o lar,

Muita alegria, dinheiro e calma.

E fé, para continuar a acreditar

 

No anjo da salvação dos nossos seres.

Pede-se igualdade para homens e mulheres.

Entreajuda e paz para todos os povos,

Mais respeito para os velhos,

Educação para os mais novos,

E surdez aos maus conselhos.

 

Protecção à família inteira,

Morte ao racismo de qualquer maneira.

Pelos pecados pede-se perdão,

E orgulho nacional.

Vêem no anjo da salvação

O Futuro de Portugal.

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