Você sabia que muitos "bons motoristas" cometem erros
imperdoáveis na hora de dar a partida no motor de um carro? Vou
tentar explicar com exemplos: quanta gente costuma insistir na
idéia de que quanto mais pressão no pedal do acelerador,
mais facilmente o motor funcionará? Quanta gente, apesar de
alguns carros trazerem o aviso "Não pise no acelerador ao dar a partida
no motor; a aceleração é controlada pelo sistema de
injeção eletrônica" colado no quebra-sol, insiste em
achar que a aceleração na hora da partida ainda é
necessária? Pra você entender melhor, comparemos nossos
carros a nossos corpos. Quando você vai alimentar-se, coloca a
comida aos poucos na boca, caso contrário engasgará,
certo? Então imagine voc? usando uma concha para se alimentar.
Pois é, aquele seu pezinho que insiste em ficar no acelerador na
hora de dar a partida é o que controla, indiretamente, a
quantidade de comida que está na concha e vai até a sua boca, ou
seja, a quantidade de combustível que o motor irá precisar
para entrar em funcionamento. Eu disse indiretamente porque o pedal do
acelerador controla, através de uma borboleta, a quantidade de ar
que será usada pelo motor. No entanto, a mistura
inflamável consiste em ar e combustível e um depende da
quantidade do outro para o bom funcionamento do motor. Por tanto, quanto
mais aberta estiver a borboleta de aceleração, mais ar o
motor irá admitir e quanto maior a quantidade de ar admitido,
mais combustível será necessário para equilibrar a
mistura. Sendo assim pense que quanto mais pressionado estiver o pedal
do acelerador, maior quantidade de comida estará na concha, ou
maior quantidade de combustível será aspirada para dentro
do motor. Você já imaginou colocar uma concha lotada de
comida na boca? É isso que você faz quando liga o carro com
o pedal do acelerador totalmente pressionado. Nos veículos
carburados, que são minoria pois a injeção eletrônica chegou no final da década de 80
ao Brasil com o Gol GTI e em meados da década de 90 já equipava pratcamente todos os veículos, quando
o motor está frio, o correto é virar a chave,
acionar a alavanca do afogador, dar duas ou três bombeadas leves no
acelerador e dar a partida. Essas duas ou três bombeadas no
acelerador servem para colocar uma misturinha inflamável no
carburador, ou seja, comida na concha que você levará
até a boca. Se o motor não funcionar em no máximo
sete segundos, solte a chave e aguarde cinco segundos para tentar
novamente. Quando alguém perde o apetite é sinal que tem
algo errado com essa pessoa e com nossos carros acontece exatamente a
mesma coisa. Tentar seguida e insistentemente dar a partida pode
provocar desde o descarregamento total da bateria, que com o motor frio
precisa de mais ação, até a queima do motor de
arranque. Se o motor estiver quente vire a chave, dê uma leve
bombeada no acelerador e ligue o motor; um carro com carburador bem
regulado responderá prontamente. Outra dica é dar a
partida sempre com o pedal da embreagem acionado, isso evita um
esforço excessivo do motor de arranque. Lêmbre-se que a
alavanca do afogador só deve ser acionada com o motor do
veículo frio e só existe em carros com carburador, sua
função é enriquecer a mistura ar combustível
e regular a marcha-lenta, o que nos carros injetados é feito
automaticamente. Em carros equipados com injeção
eletrônica o processo de partida é ainda mais simples.
Imaginemos agora que nosso corpo é quase que totalmente
controlado eletronicamente. Todas as nossas vontades e nossos desejos
passam por nosso cérebro eletrônico que os executará
na medida do possível. A concha que nos alimenta é
praticamente a mesma, só que nós não precisamos
mais colocar alimento nela, nosso próprio cérebro
controlado por chips mede o tamanho da nossa fome e usa a concha para
nos alimentar com o tipo e a quantidade exata de comida que precisamos
no momento. É mais ou menos o que acontece com os carros
equipados com injeção eletrônica. Sendo assim vire a
chave e aguarde dez segundos aproximadamente. Estes dez segundos
são
necessários para que nosso cérebro eletrônico possa
determinar a quantidade e o tipo de comida que devemos ingerir na
ocasião ou seja, os dez segundos são necessários para que
a central eletrônica da injeção e a bomba
elétrica de combustível possam adaptar-se a temperatura na
qual irão atuar. Bom como nosso cérebro eletrônico
determina o tipo e a quantidade exata de comida que nossa boca
suportará na ocasião, você não acha que
nós humanos somos inprecisos demais para contrariá-lo?
Sendo assim, pare de uma vez por todas de ligar carros com
injeção eletrônica com o pé no acelerador,
este tipo de carro deve pegar somente no arranque, a central de
injeção sabe exatamente o tipo e a quantidade de mistura
inflamável que deve ser usada no momento da partida. Pisar no
acelerador ao ligar ou desligar veículos dotados de
injeção eletrônica bem como fazê-los pegar no
tranco, causa excesso de combustível na câmara de
combustão, o que pode prejudicar seriamente o catalisador,
componente responsável pela "purificação" dos gases
lançados na atmosfera. Aliás, seja seu carro carburado ou
injetado, evite tranco; tal procedimento pode acabar, no caso do tranco
ser forte demais, fazendo com que pule um ou mais dentes da correia
dentada, o que tirará o motor de seu sincronismo ideal e, caso
aconteça isso, a possibilidade de haver um empenamento de
válvulas é considerável, além, claro, do
excesso de combustível que ficará na câmara, mas
isso é o menor problema se comparado a tirar o motor de ponto.
Isso no caso de seu carro ser dotado de carburador, porque se for
equipado com injeção eletrônica, além de tudo
isso, tem a variação de tensão da bateria que, em
caso extremo, pode danificar a central. Caso nada disso aconteça,
o aparentemente inofensivo excesso de combustível não
queimado pode, também, infiltrar-se através dos
anéis dos cilindros no cárter e diluir parte do
óleo lubrificante do motor, o que causará atrito entre as
peças e, consequentemente, a diminuição de sua vida
útil. Por tanto, pense bem antes de fazer seu carro pegar no
tranco. Ah! Por falar nisso: abandone de uma vez o inútil hábito de dar "a última acelerada" antes
de desligar o motor. Muitos motoristas antigos fazem isso; param o carro, dão uma acelerada e, antes que a marcha-lenta
extabilize, desligam a ignição. Tal procedimento também deixa combustível não queimado
"passeando" e correndo sério risco de lavar as paredes dos cilindros, ou seja, tirar o lubrificante tão necessário
para não haver atrito entre peças na próxima partida. Por tanto, pare o carro, aguarde a marcha-lenta
normalizar e só então desligue o motor. Caso esteja com o ar condicionado ligado, desligue-o antes de desligar
o motor, pois o funcionamento do mesmo altera a marcha-lenta.
Como eu disse anteriormente, carro com
injeção eletrônica não tem afogador; a
dozagem da mistura ar/combustível e a regulagem da marcha-lenta
em baixas temperaturas é feita automaticamente. Então,
seja com o motor quente ou frio a partida nestes veículos se
dá somente através da chave e do pedal de embreagem,
lêmbre-se que acionar totalmente o pedal de embreagem na hora da
partida faz com que o motor de arranque trabalhe mais leve. Bom
aí se o motor não pegar dentro de sete segundos, desligue
a chave e aguarde 30 segundos para tentar nova partida. Estes trinta
segundos são necessários para dar um "reset" no comando
eletrônico da injeção para que o sistema possa
rastrear, em sua programação interna, quais os
parâmetros corretos de funcionamento.
Outro ponto extremamente importante mas que muita gente não
dá o devido valor: seja seu carro carburado ou injetado, solte a
chave de ignição assim que o motor entrar em
funcionamento. Segurar a chave além disso poderá
prejudicar seriamente o motor de arranque.
Acho que deu pra entender
o trocadilho com o corpo humano, não? Com exemplos cotidianos
fica mais fácil a compreensão.