<B> VITOR GAÚCHO HP </B>

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Algumas sugestões e dicas de como lidar com pessoas portadoras de deficiência.

Relatarei a seguir algumas situações de discriminação vivenciadas por mim mesmo com o intuito de explicitar o que a falta de informação pode fazer com as pessoas:

A situação mais recente aconteceu na loja de carros do meu pai onde eu trabalhava. Liguei para uma senhora avisando que o documento do seu Corsinha já estava em mãos, pronto para lhe ser entregue. Ela perguntou meu nome e desligou. Horas depois o pessoal me liga avisando que um casal está vindo at? mim, eu logo imaginei ser a tal senhora e seu marido. Pois bem, quando ela entrou na sala e deu de cara com um cego, seu primeiro impulso foi pedir o documento para a garota que sentava a minha frente, ou seja, duvidou da minha capacidade pelo fato de eu não enxergar.
Lembre-se que um cego só não enxerga; os outros sentidos bem como o cérebro, principalmente, funcionam muito bem obrigado.

Outra boa aconteceu quando minha ex namorada e eu caminhávamos no calçadão, estava muito calor e saímos um pouco para tomar um ar. No caminho, aproximou-se de nós um cachorro enorme e como eu e ela somos loucos por bichos, não pensamos duas vezes e pedimos para a sua dona deixar nós brincarmos um pouco com ele. A senhora prontamente atendeu nosso pedido e enquanto nós brincávamos com o animal ela não parava de me olhar. Até que num determinado momento ela olha pra minha ex namorada, cria coragem e solta a seguinte pérola: - Ele fala??? - Bah, foi inevitável a gargalhada; o que tem haver cegueira com mudez? A senhora percebeu a gafe, desculpou-se e saiu levando o cachorrão.
Novamente: cego é cego, não é surdo, nem mudo, nem louco, nem debiloide, nem nada, pare de uma vez por todas de achar que cego é ET.

Minha última namorada e eu costumávamos dormir muitas vezes por semana juntos no apartamento onde ela morava. Pois bem, um dia quando eu não estava lá uma vizinha dela aproximou-se e perguntou: - Há quanto tempo tu cuidas daquele mocinho que de vez enquando tá na tua casa? - Ela sorriu e disse: - Eu não cuido dele, senhora, aquele mocinho é meu namorado. - Bah! A mulher não sabia onde colocava a cara.
Sabe o porquê da pergunta imbecil da referida senhora? porque ainda é inconcebível pra muitas pessoas tontas um cara deficiente namorar uma garota não deficiente e vice-versa. Coitados, esbanjam estultice.

Fui com o Wagner, meu irmão de coração, a uma lanchonete badalada e ambos pedimos x. Os meus lanches sempre são sem salada e ali não foi diferente. Quando o garçon veio servir os pedidos, voltou-se para o Wagner e perguntou: - É o dele que é sem salada? - O Wagner prontamente respondeu: - Não sei, pergunta pra ele. -
A atitude do garçon foi totalmente errada. Quando precisar de alguma informação referente a uma pessoa portadora de deficiência visual, dirija-se diretamente a ela, não a seu acompanhante. Entretanto, é interessante você usar artifícios para que o cego saiba que você está se dirigindo a ele, uma vez que não consegue identificar em qual direção seu olhar se encontra. Caso não saiba o nome da pessoa cega, uma boa sugestão é um leve toque no ombro pra fazê-la perceber que você está se referindo a ela, mas jamais use terceiros para estabelecer um contato com uma pessoa portadora de deficiência visual.

Outro caso parecido aconteceu em uma pizzaria: estâvamos minha ex noiva e eu comendo quando o garçon passou com pizza de calabresa. Depois que minha ex noiva negou um pedaço ele perguntou pra ela: - E ele, aceita? - Ela respondeu: - Eu não quero, ele eu não sei. - O cara ficou sem jeito, largou um pedaço de pizza no meu prato, saiu correndo e não serviu mais nossa mesa.hehehehehe coitado, né? Bah!
Novamente o caso da pessoa não saber como se dirigir a um cego. Quando tiver dúvidas acerca disso, pense sempre que a cegueira está nos olhos, não nos ouvidos, por tanto um cego pode responder qualquer pergunta que você o faça.

Estava eu, no ano de 1998, caminhando em direção ao ponto de ônibus quando resolvi pegar um taxi. Passei pela Praça 15 de Novembro e peguei o primeiro carro da fila, um Monza GLS 2.0 quatro portas. Abri a porta do carona, dobrei a bengala e entrei no veículo, quando fui barrado pelo motorista, um senhor de idade muito avançada que me disse: - Cai fora garoto, isso aqui é taxi. - Eu fiquei pasmo com a reação do senhor, mas resolvi não discutir por causa de sua idade. Como antes de entrar no Monza eu havia tateado os carros de trás, sorri e disse: - Tudo bem senhor, vou pegar o de trás que é um Vectra, aliás o senhor deveria trocar este Monza né? Estamos em 1998, faz dois anos que o Monza saiu de linha, ele não é mais fabricado desde o segundo semestre de 1996. - Me retirei do veículo, fechei a porta delicadamente e peguei o Vectra que estava atrás. Quando entrei no mesmo, o cara me pediu desculpas; disse que o motorista do Monza é dono da frota e grosseiro assim mesmo. Seguimos rindo pelo caminho, não tinha outra coisa pra fazer.
Lembre-se que cegueira não é sinônimo de pobreza e que um cego tem os mesmos direitos que você tem de frequentar bons restaurantes, pegar taxi ou ir a lugares vip. Pra que fique claro: não tenho nada contra o Monza, muito pelo contrário; o Monza, na minha opinião é um marco na história da General Motors, sou fã dele e só falei aquilo pra poder deixar o motorista do taxi sem graça.

no final da década de 90 eu namorava uma garota cega e nós resolvemos pegar um ônibus executivo no centro de Florianópolis. Ao pararmos na porta do Santa Mônica, o motorista nos disse: - Saiam, este carro é executivo. - Eu então perguntei porque nós deveríamos sair ao que ele me disse: - Eu não vou dar carona pra ninguém. - Eu já um tanto indignado falei: - Alguém pediu carona, guri? É bom deixares nós entrarmos numa boa ou eu vou ligar pra empresa e exigir que te ponham no olho da rua, desde que eu pague tenho direito de usar este transporte e vou fazê-lo. - O cara resmungou e nós entramos. Quando saímos eu agradeci a gentileza do motorista e dei uma nota de R$50,00 pra ele. A passagem era R$0,75 e eu tinha R$1,50 pra pagar a minha e de minha namorada separado em moedas, mas fiz ele me dar R$48,50 de troco pra deixar de ser bobo.
Novamente a mesma questão: todo cego é pobre e não tem dinheiro nem pra andar de ônibus executivo. Isso é completamente irreal, tem cegos de várias classes sociais, igualmente aos videntes.

No início dos anos 2000, eu e uma outra namorada, também cega, resolvemos sair a procura de apartamento pra alugar. Ao chegarmos na imobiliária Moreira aqui mesmo no bairro onde moro, fomos acompanhados pelo porteiro do prédio até o escritório. Quando nos viu, o senhor Moreira falou ao porteiro: - Leva eles embora, diz que hoje não tem nada pra dar. - Eu não contei tempo e falei: - O senhor quis dizer que não tem apartamento de cobertura, seu Moreira? É isso que estamos querendo, não queremos nem precisamos de esmola sua, pode ficar tranquilo. - O homem não sabia onde enfiava a cara, pediu desculpas e se calou, tomando consciência da atitude ignorante e desrespeitosa que teve conosco. Eu e a gata saímos de lá e fomos em outra imobiliária, jamais ficaríamos num lugar onde fomos tratados como esmoleiros por sermos cegos.
Coitado do seu Moreira, esse é tão digno de pena que nem merece comentários.

No ano de 1999 eu concluí o primeiro curso de Mecânica Automotiva do meu currículo. Um professor do curso, o Isaac, assinou seu atestado de ignorância num dia em que estávamos em plena atividade quando eu resolvi abrir a porta de um Siena 1.0 seis marchas que estava na oficina do SENAI aqui de Floripa. Quando eu ía entrar no carro pra conhecê-lo, o Isaac me chamou tentando distrair minha atenção e quando eu saí do carro ele fechou e chaveou a porta. Como a trava era elétrica, as outras portas também foram trancadas. Eu perguntei por quê ele havia feito aquilo, por quê não tinha dito que eu não deveria entrar então. Ele me puchou pelo braço sem dizer nada e me afastou do carro. Eu exigi que ele o abrice novamente e dei minha palavra que não entraria denovo se essa era a preocupação dele. Sabe qual foi sua resposta? - Eu não posso abrir, perdi a chave. - Eu então falei: - Que absurdo professor, o senhor não perdeu a chave coisa nenhuma, eu percebi quando a colocou no bolso esquerdo da calça. - A oficina ficou em silêncio e o Isaac não sabia o que fazer pra disfarçar o mico que pagou.
Eu sinceramente não sei como deram diploma de professor para um cara como o Isaac, mas tudo bem, coisas de SC. Só é bom você saber que não deve subestimar a capacidade de um cego, tratá-lo como criança ou fazê-lo de bobo. Em alguns casos você pode conseguir, mas na maioria deles os papéis se inverterão e o bobo da história será você.
Vale ressaltar que eu só consegui fazer esse curso de Mecânica graças ao professor Francisco, um cara gente fina de montão que se dispôz a me ensinar, porque os alunos e a maioria dos funcionários do SENAI me tratavam como se eu fosse um ET, só porque eu sou cego e gosto de carro, que coisa!

Relatarei, para finalizar, a situação mais engraçada que já enfrentei por causa da cegueira: Estava eu conversando com uma amiga - catarina, claro - sobre relacionamentos amorosos. A conversa fluía naturalmente, até que a garota resolveu me dizer: - Vitor, posso te perguntar algo? - Respondi afirmativamente ao que ela continuou: - Tu não consegues fazer sexo, né? Quer dizer que namoro pra ti é só carinho? - Eu mantive o respeito e questionei por que ela achava isso. Ela então soltou: - Sim né, só pode; como um cego vai conseguir transar com uma mulher sem enxergar? - Eu então, em tom de brincadeira séria, perguntei: - Escuta lindinha, tua... (nome vulgar do órgão sexual feminino) enxerga? Não, né? Pois é, meu... (nome vulgar do órgão sexual masculino) também não, tira a roupa que eu vou te mostrar como eles podem se encontrar rapidinho mesmo sem um olhar pra cara do outro. - Ela me chamou dos piores palavrões que você possa imaginar, mas no fim foi uma gargalhada geral.
Você também pensa que cego não faz sexo, é? Cuidado, hein?hehehehehe Pare de achar que cego vive uma realidade diferente da sua. Como eu já disse aqui, a cegueira não constitue nada além da falta de visão. A pergunta da minha amiga foi extremamente ignorante, mas eu adorei minha resposta, de vez enquando penso nisso e me mato rindo.heheheheehe

Enfim, essas foram algumas situações discriminatórias pelas quais passei, dentre outras que não lembro agora, mas a medida que for lembrando irei atualizando esta seção.


Seguem algumas dicas resumidas de como lidar com pessoas portadoras de deficiência visual:

  • Nem sempre as pessoas cegas ou com deficiência visual precisam de ajuda, mas se encontrar alguma que pareça estar em dificuldades, identifique-se, faça-a perceber que você está falando com ela. Para isso pode, por exemplo, tocar-lhe levemente no braço.
  • Nunca ajude sem perguntar antes como deve fazê-lo.
  • Caso sua ajuda como guia seja aceita, coloque a mão da pessoa no seu cotovelo. Ela irá acompanhar o movimento do seu corpo enquanto você vai andando.
  • Num corredor estreito, por onde só é possível passar uma pessoa, coloque o seu braço para trás de modo que a pessoa cega possa continuar seguindo você.
  • Para ajudar uma pessoa cega a sentar-se, você deve guiá-la até a cadeira e colocar a mão dela sobre o encosto da mesma, informando se esta tem braço ou não. Deixe que a pessoa sente-se sozinha.
  • Ao explicar direções para uma pessoa cega, seja o mais claro e específico possível.
  • Ao ajudar uma pessoa cega a entrar Em um carro, apenas coloque a mão dela na fechadura da porta, o resto ela faz por conta própria.
  • Ao apresentar uma pessoa cega a alguém, tome o cuidado de colocar ambas as partes de frente para que o cego não estenda a mão em posição errada.
  • Ao cumprimentar um cego com um aperto de mão, pegue a mão dele ou avise que você quer cumprimentá-lo, não adianta você estender a mão na frente dele em ambientes abertos porque ele dificilmente perceberá. Em ambientes fechados é mais fácil por causa do deslocamento de ar, mas mesmo assim você corre o risco de ficar com a mão estendida por horas a fio e depois ter que fazer de conta que tá enxotando mosca pra disfarçar.
  • Algumas pessoas, sem perceber, falam em tom de voz mais alto quando conversam com pessoas cegas. A menos que a pessoa tenha, também, uma deficiência auditiva que justifique isso, não faz nenhum sentido gritar. Fale em tom de voz normal.
  • Por mais tentador que seja acariciar um cão-guia, lembre-se de que esses cães têm a responsabilidade de guiar um dono que não enxerga. O cão nunca deve ser distraído do seu dever de guia.
  • As pessoas cegas ou com visão sub normal são como você, só que não enxergam. Trate-as com o mesmo respeito e consideração que você trata todas as pessoas.
  • pessoas que não tem visão são cegas. Não tente amenizar, use este termo claramente, todo cego sabe de sua limitação. O termo "ceguinho" só deve ser empregado em brincadeiras eventuais, mas só o faça se você tiver intimidade suficiente com a pessoa e se a mesma lhe der liberdade pra isso. Caso contrário, a palavra cego em seu grau diminutivo pode passar uma impressão negativa.
  • No convívio social ou profissional, não exclua as pessoas com deficiência visual das atividades normais. Deixe que elas decidam como podem ou querem participar.
  • Proporcione as pessoas cegas ou com deficiência visual a mesma chance que você tem de ter sucesso ou de falhar.
  • Fique a vontade para usar palavras como "veja" e "olhe", os cegos as usam com naturalidade.
  • Quando se afastar, tome o cuidado de avisar ao cego.
  • Lembre-se que nem sempre um cego é amigo ou colega de outro. Por tanto, expressões do tipo "Passou um amigo teu por aqui" ou "Acabei de ajudar um colega teu" são completamente inconvenientes. Caso queira comentar isso com a pessoa, diga-lhe que ajudou um cego.
  • Se você conhece um cego que faz isso ou deixa de fazer aquilo, isso não quer dizer que todos os cegos tenham que seguir esta regra. Não se esqueça que, como as pessoas com visão, um cego é diferente do outro.

COMO APOIAR O ESTUDANTE CEGO :

  • Os estudantes com deficiência visual não têm a mesma possibilidade que os seus colegas em tirar apontamentos das aulas, recorrendo a gravação, ao material digitalizado ou Braille. Caso o professor se oponha a gravação, deverá fornecer ao estudante elementos referentes ao conteúdo de cada aula.
  • Nas aulas deverão ser evitados termos como "isto" ou "aquilo", uma vez que não têm significado para um estudante que não vê.
  • Quando utilizar o quadro, o professor deverá ler o que escreveu para que, ao ouvir a gravação da aula, o estudante tenha a noção do que foi escrito ou para copiar se ele assim preferir.

Se usar transparências o professor poderá proceder do seguinte modo:

  • Antes do início da aula, fornecer ao estudante uma cópia em Braille ou digitalizada do material. No caso de visão sub normal, em caracteres ampliados.
  • durante a apresentação identificar e ler o conteúdo da transparência.
  • Quando recorrer a quadros, figuras ou slides deverá descrever o seu conteúdo. Alguns estudantes que não nasceram cegos que ainda conservam algum resíduo visual, têm uma memória residual de objetos, figuras, etc.

Note que o termo cego está sempre sublinhado. Sabe pra que isso? Pra você se acostumar a usá-lo. Uma pessoa que não enxerga é cega, fale isso claramente, sem medo, esse termo não ofende nem desmoraliza ninguém.

A título de informação sobre maneiras e tratamentos adequados, segue abaixo um texto sobre outras deficiências:

Sugestões para quando você encontrar uma pessoa com deficiência. Faça isso e você verá o quanto é importante e enriquecedor aprendermos a conviver com a diversidade!

Muitas pessoas não deficientes ficam confusas quando encontram uma pessoa com deficiência. Isso é natural, todos nós podemos nos sentir desconfortáveis diante do "diferente". Esse desconforto diminui e tende a desaparecer quando existem oportunidades de convivência entre pessoas deficientes e não deficientes.

Não faça de conta que a deficiência não existe. Se você se relacionar com uma pessoa deficiente como se ela não tivesse uma deficiência, você vai estar ignorando uma característica muito importante dela. Dessa forma, você não estará se relacionando com ela, mas com outra pessoa, uma que você inventou e não é real. Aceite a deficiência. Ela existe e você precisa levá-la na sua devida consideração. Não subestime as possibilidades, nem superestime as dificuldades e vice-versa. As pessoas com deficiência têm o direito, podem e querem tomar suas próprias decisões e assumir a responsabilidade por suas escolhas. Ter uma deficiência não faz com que uma pessoa seja melhor ou pior do que uma pessoa não deficiente. Provavelmente, por causa da deficiência, essa pessoa pode ter dificuldade para realizar algumas atividades e, por outro lado, poderá ter extrema habilidade para fazer outras coisas. Exatamente como todo mundo. A maioria das pessoas com deficiência não se importa de responder a perguntas, principalmente aquelas feitas por crianças, a respeito da sua deficiência e como ela realiza algumas tarefas. Mas, se você não tem muita intimidade com a pessoa, evite fazer perguntas muito íntimas. Quando quiser alguma informação de uma pessoa deficiente, dirija-se diretamente a ela e não a seus acompanhantes ou intérpretes. Sempre que quiser ajudar, ofereça ajuda. Sempre espere sua oferta ser aceita antes de ajudar. Sempre pergunte a forma mais adequada para fazê-lo, mas não se ofenda se seu oferecimento for recusado pois, nem sempre, as pessoas com deficiência precisam de auxílio. As vezes, uma determinada atividade pode ser mais bem desenvolvida sem assistência. Se você não se sentir confortável ou seguro para fazer alguma coisa solicitada por uma pessoa deficiente, sinta-se livre para recusar. Neste caso, seria conveniente procurar outra pessoa que possa ajudar. As pessoas com deficiência são pessoas como você. Têm os mesmos direitos, os mesmos sentimentos, os mesmos receios, os mesmos sonhos. Você não deve ter receio de fazer ou dizer alguma coisa errada. Aja com naturalidade e tudo vai dar certo. Se ocorrer alguma situação embaraçosa, uma boa dose de delicadeza, sinceridade e bom humor nunca falham.

Pessoas com deficiência física:

  • É importante saber que para uma pessoa sentada é incómodo ficar olhando para cima por muito tempo. Portanto, ao conversar por mais tempo que alguns minutos com uma pessoa que usa cadeira de rodas, se for possível, lembre-se de sentar, para que você e ela fiquem com os olhos no mesmo nível.
  • A cadeira de rodas, assim como as bengalas e muletas, é parte do espaço corporal da pessoa, quase uma extensão do seu corpo. Agarrar ou apoiar-se na cadeira de rodas é como agarrar ou apoiar-se numa pessoa sentada numa cadeira comum. Isso muitas vezes é simpático, se vocês forem amigos, mas não deve ser feito se vocês não se conhecem.
  • Nunca movimente a cadeira de rodas sem antes pedir permissão para a pessoa.
  • Empurrar uma pessoa em cadeira de rodas não é como empurrar um carrinho de supermercado. Quando estiver empurrando uma pessoa sentada numa cadeira de rodas e parar para conversar com alguém, lembre-se de virar a cadeira de frente para que a pessoa também possa participar da conversa.
  • Ao empurrar uma pessoa em cadeira de rodas, faça-o com cuidado. Preste atenção para não bater nas pessoas que caminham a frente. Para subir degraus, incline a cadeira para trás para levantar as rodinhas da frente e apoiá-las sobre a elevação. Para descer um degrau, é mais seguro fazê-lo de marcha a ré, sempre apoiando para que a descida seja sem solavancos. Para subir ou descer mais de um degrau em sequência, será melhor pedir a ajuda de mais uma pessoa.
  • Se você estiver acompanhando uma pessoa deficiente que anda devagar, com auxílio ou não de aparelhos ou bengalas, procure acompanhar o passo dela.
  • Mantenha as muletas ou bengalas sempre próximas a pessoa deficiente.
  • Se achar que ela está em dificuldades, ofereça ajuda e, caso seja aceita, pergunte como deve fazê-lo. As pessoas têm suas técnicas pessoais para subir escadas, por exemplo, e, as vezes, uma tentativa de ajuda inadequada pode até mesmo atrapalhar. Outras vezes, a ajuda é essencial. Pergunte e saberá como agir e não se ofenda se a ajuda for recusada.
  • Se você presenciar um tombo de uma pessoa com deficiência, ofereça ajuda imediatamente, mas nunca ajude sem perguntar se e como deve fazê-lo.
  • Esteja atento para a existência de barreiras arquitetônicas quando for escolher uma casa, restaurante, teatro ou qualquer outro local que queira visitar com uma pessoa com deficiência física.
  • Pessoas com paralisia cerebral podem ter dificuldades para andar, podem fazer movimentos involuntários com pernas e braços e podem apresentar expressões estranhas no rosto. Não se intimide com isso. São pessoas comuns como você. Geralmente, têm inteligência normal ou, as vezes, até acima da média.
  • Se a pessoa tiver dificuldade na fala e você não compreender imediatamente o que ela está dizendo, peça para que repita. Pessoas com dificuldades desse tipo não se incomodam de repetir se necessário para que se façam entender.
  • Não se acanhe em usar palavras como "andar" e "correr". As pessoas com deficiência física empregam naturalmente essas mesmas palavras.
  • Quando você encontrar um Paralisado Cerebral, lembre-se que ele tem necessidades específicas, por causa de suas diferenças individuais. Para lidar com esta pessoa, temos as seguintes sugestões:
    • É muito importante respeitar o ritmo do PC (paralizado cerebral), usualmente ele é mais vagaroso no que faz, como andar, falar, pegar as coisas, etc.
    • Tenha paciência ao ouvi-lo, a maioria tem dificuldade na fala. Há pessoas que confundem esta dificuldade e o ritmo lento com deficiência mental.
    • Não trate o PC como uma criança ou incapaz.
    • Lembre-se que o PC não é um portador de doença grave ou contagiosa, a paralisia cerebral é fruto da lesão cerebral, ocasionada antes, durante ou após o nascimento, causando desordem sobre os controles dos músculos do corpo. Portanto, não é doença e tampouco transmissível, é uma situação.
  • Trate a pessoa com deficiência com a mesma consideração e respeito que você usa com as demais pessoas.

PESSOAS SURDAS OU COM DEFICIÊNCIA AUDITIVA:

  • Quando quiser falar com uma pessoa surda, se ela não estiver prestando atenção em você, acene para ela ou toque, levemente, em seu braço.
  • Quando estiver conversando com uma pessoa surda, fale de maneira clara, pronunciando bem as palavras, mas não exagere. Use a sua velocidade normal, a não ser que lhe peçam para falar mais devagar.
  • Use um tom normal de voz, a não ser que lhe peçam para falar mais alto. Gritar nunca adianta.
  • Fale diretamente com a pessoa, não de lado ou atrás dela.
  • Faça com que a sua boca esteja bem visível. Gesticular ou segurar algo em frente a boca torna impossível a leitura labial. Usar bigode também atrapalha.
  • Quando falar com uma pessoa surda, tente ficar num lugar iluminado. Evite ficar contra a luz (de uma janela, por exemplo), pois isso dificulta ver o seu rosto.
  • Se você souber alguma linguagem de sinais, tente usá-la. Se a pessoa surda tiver dificuldade em entender, avisará. De modo geral, suas tentativas serão apreciadas e estimuladas.
  • Seja expressivo ao falar. Como as pessoas surdas não podem ouvir mudanças sutis de tom de voz que indicam sentimentos de alegria, tristeza, sarcasmo ou seriedade, as expressões faciais, os gestos e o movimento do seu corpo serão excelentes indicações do que você quer dizer.
  • Enquanto estiver conversando, mantenha sempre contato visual, se você desviar o olhar, a pessoa surda pode achar que a conversa terminou.
  • Nem sempre a pessoa surda tem uma boa dicção. Se tiver dificuldade para compreender o que ela está dizendo, não se acanhe em pedir para que repita. Geralmente, as pessoas surdas não se incomodam de repetir quantas vezes for preciso para que sejam entendidas.
  • Se for necessário, comunique-se através de bilhetes. O importante é se comunicar. O método não é tão importante.
  • Quando a pessoa surda estiver acompanhada de um intérprete, dirija-se a pessoa surda, não ao intérprete.
  • Algumas pessoas mudas preferem a comunicação escrita, algumas usam linguagem em código e outras preferem códigos próprios. Estes métodos podem ser lentos, requerem paciência e concentração. Talvez você tenha que se encarregar de grande parte da conversa.
  • Tente lembrar que a comunicação é importante. Você pode ir tentando com perguntas cuja resposta seja sim/não. Se possível ajude a pessoa muda a encontrar a palavra certa, assim ela não precisará de tanto esforço para passar sua mensagem. Mas não fique ansioso, pois isso pode atrapalhar sua conversa.

Pessoas com deficiência mental:

  • Você deve agir naturalmente ao dirigir-se a uma pessoa com deficiência mental.
  • Trate-a com respeito e consideração. Se for uma criança, trate como criança. Se for adolescente, trate-a como adolescente. Se for uma pessoa adulta, trate-a como tal.
  • Não a ignore. Cumprimente e despeça-se dela normalmente, como faria com qualquer pessoa.
  • Dê atenção a ela, converse e vai ver como será divertido. Seja natural, diga palavras amistosas.
  • Não super proteja. Deixe que ela faça ou tente fazer sozinha tudo o que puder. Ajude apenas quando for necessário.
  • Não subestime sua inteligência. As pessoas com deficiência mental levam mais tempo para aprender, mas podem adquirir muitas habilidades intelectuais e sociais.
  • Lembre-se: o respeito está em primeiro lugar e só existe quando há troca de ideias, informações e vontades. Por maior que seja a deficiência, lembre-se da eficiência da pessoa que ali está.
  • As pessoas com deficiência mental, geralmente, são muito carinhosas. Deficiência mental não deve ser confundida com doença mental.

A maior barreira que nós deficientes enfrentamos não é arquitetônica, é a falta de informação de grande parte da maioria das pessoas. Antes de criar pré-conceitos, informe-se.

Este texto sobre as deficiências no formato original é encontrado em

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