CIGANOS
Os ciganos n�o representam um povo compacto e homog�neo, mesmo pertencendo a uma �nica etnia, existe a hip�tese de que a migra��o desde a �ndia tenha sido fracionada no tempo, e que desde a origem fossem divididos em grupos e subgrupos, falando dialetos diferentes.
As diferen�as no tipo de vida, a forte voca��o ao nomadismo de alguns, contra a tend�ncia � sedentariza��o de outros gera uma s�rie de contrastes que n�o se limitam a uma simples incapacidade de conviver pacificamente.
Em linhas gerais, os Sintos s�o menos conservadores e tendem a esquecer com maior rapidez a cultura dos pais. Talvez este fato n�o seja recente, mas de qualquer modo � atribu�do �s condi��es socioculturais nas quais por longo tempo viveram.
Quanto aos Rom de imigra��o mais recente, se nota ao inv�s uma maior tend�ncia � conserva��o das tradi��es, da l�ngua e dos costumes pr�prios dos diversos subgrupos. Sua origem desde pa�ses essencialmente agr�colas e ainda industrialmente atrasados (leste europeu) favoreceu certamente a conserva��o de modos de vidamais consoantes � sua origem.

NASCIMENTO

Uma crian�a sempre � bem vinda entre os ciganos. � claro que sua prefer�ncia � para os filhos homens, para dar continuidade ao nome da fam�lia. A mulher cigana � considerada impura durante os quarenta dias de resguardo ap�s o parto.
Logo que uma crian�a nasce, uma pessoa mais velha, ou da fam�lia, prepara um p�o feito em casa, semelhante a uma h�stia e um vinho para oferecer �s tr�s fadas do destino, que visitar�o a crian�a no terceiro dia, para designar sua sorte. Esse p�o e vinho ser� repartido no dia seguinte com todos as pessoas presentes, principalmente com as crian�as.
Da mesma forma e com a finalidade de espantar os maus esp�ritos, a crian�a recebe um patu� assinalado com uma cruz bordada ou desenhada contendo incenso. O batismo pode ser feito por qualquer pessoa do grupo e consiste em dar o nome e benzer a crian�a com �gua, sal e um galho verde. O batismo na igreja n�o � obrigat�rio, embora a maioria opte pelo batismo cat�lico.

CASAMENTO

Desde pequenas, as meninas ciganas costumam ser prometidas em casamento. Os acertos normalmente s�o feitos pelos pais dos noivos, que decidem unir suas fam�lias.
O casamento � uma das tradi��es mais preservadas entre os ciganos, representa a continuidade da ra�a, por isso o casamento com os n�o ciganos n�o � permitido em hip�tese alguma. Quando isso acontece a pessoa � exclu�da do grupo.
� pelo casamento que os ciganos entram no mundo dos adultos. Os noivos n�o podem Ter nenhum tipo de intimidade antes do casamento. Quando o casamento acontece, durante tr�s dias e tr�s noites, os noivos ficam separados dando aten��o aos convidados, somente na terceira noite � que podem ficar pela primeira vez a s�s.
Mesmo assim, a grande maioria dos ciganos no Brasil, ainda exigem a virgindade da noiva. A noiva deve comprovar a virgindade atrav�s da mancha de sangue do len�ol que � mostrada a todos no dia seguinte. Caso a noiva n�o seja virgem, ela pode ser devolvida para os pais e esses ter�o que pagar uma indeniza��opara os pais do noivo.
No caso da noiva ser virgem, na manh� seguinte do casamento ela se veste com uma roupa tradicional colorida e um len�o na cabe�a, simbolizando que � uma mulher casada. Durante a festa de casamento, os convidados homens, sentam ao redor de uma mesa no ch�o e com um p�o grande sem miolo, recebem dos os presentes dos noivos em dinheiro ou em ouro.
Estes s�o colocados dentro do p�o ao mesmo tempo em que os noivos s�o aben�oados. Em troca recebem len�os e flores artificiais para a mulheres. Geralmente a noiva � paga aos pais em moedas de ouro, a quantidade � definidapelo pai da noiva.

MORTE

Os ciganos acreditam na vida ap�s a morte e seguem todos os rituais para aliviar a dor de seus antepassados que partiram. Costumam colocar no caix�o da pessoa morta uma moeda para que ela possa pagar o canoeiro a travessia do grande rio que separa a vida da morte.
No que se refere � morte, o luto pelo desaparecimento de um companheiro dura em geral muito tempo. Junto aos Sintos parece prevalecer o costume de queimar-se a kamp�na (o trailer) e os objetos pertencentes ao defunto.
Entre os ritos f�nebres praticados pelos Rom est� a pom�na, banquete f�nebre no qual se celebra o anivers�rio da morte de uma pessoa. A abund�ncia do alimento e das bebidas exprimem o desejo de paz e felicidade para o defunto.
Antigamente costumava-se enterrar as pessoas com bens de maior valor, mas devido ao grande n�mero de viola��o de t�mulos este costume teve que ser mudado. Os ciganos n�o encomendam missa para seus entes queridos, mas oferecem uma cerim�nia com �gua, flores, frutas e suas comidas prediletas, onde esperam que a alma da pessoa falecida compartilhe a cerim�nia e se liberte gradativamente das coisas da Terra.
As cerim�nias f�nebres s�o chamadas "Pomana" e s�o feitas periodicamente at� completar um ano de morte. Os ciganos costumam fazer oferendas aos seus antepassados tamb�m nos t�mulos.

M�SICA E DAN�A

Quando os ciganos deixaram o Egito e a �ndia, eles passaram pela P�rsia, Turquia, Arm�nia, chegando at� a Gr�cia, onde permaneceram por v�rios s�culos antes de se espalharem pelo resto da Europa.
A influ�ncia trazida do oriente � muito forte na m�sica e na dan�a cigana. A m�sica e a dan�a cigana possuem influ�ncia hindu, h�ngaro, russo, �rabe e espanhol. Mas a maior influ�ncia na m�sica e na dan�a cigana dos �ltimos s�culos � sem d�vida espanhola, refletida no ritmo dos ciganos espanh�is que criaram um novo estilo baseado no flamenco.
Alguns grupos de ciganos no Brasil conservam a tradicional m�sica e dan�a cigana h�ngara, um reflexo da m�sica do leste europeu com toda influ�ncia do violino, que � o mais tradicional s�mbolo da m�sica cigana. Liszt e Beethoven buscaram na m�sica cigana inspira��o para muitas de suas obras.
Tanto a m�sica como a dan�a cigana sempre exerceram fasc�nio sobre grandes compositores, pintores e cineastas. H� exemplos na literatura, na poesia e na m�sica de Bizet, Manuel de Falla e Carlos Saura que mostram nas suas obras muito do mist�rio que envolve a arte, a cultura e a trajet�ria desse povo.
No Brasil, a m�sica mais tocada e dan�ada pelos ciganos � a m�sica Kaldarash, pr�pria para dan�ar com acompanhamento de ritmo das m�os e dos p�s e sons emitidos sem significa��o para efeito de acompanhamento. Essa m�sica � repetida v�rias vezes enquanto as mo�as ciganas dan�am.
Hosted by www.Geocities.ws

1