Solidão a três
 

Você pediu que eu escrevesse sobre nós dois.
Descobri que teria que falar a respeito de 3.
Como falar  só de nós dois
se temos nosso amor limitado por uma terceira pessoa?

É Reveillon,
tempo em que os amantes querem se fundir num longo abraço
 que ultrapasse todos os limites, inclusive o tempo que se mede em anos,
em séculos, em milênios.
Onde estará você neste momento único de mudança de tempo?
Onde estarei eu neste  mesmo instante?
Juntos?

Não, você abraçará a terceira pessoa, chamada por você de Passado... 
que descubro, é mais forte que nós, nosso amor,
o milênio, a paixão, o tesão.

Cabe perguntar, o seu Passado é passado?
Será mesmo Passado?
Claro que não, passado é algo que já aconteceu e acabou.
Ninguém abraça o inexistente!!!!
Abraça-se a ilusão, abraça-se o sonho, o amante,
o parceiro que não mais amamos.

Existe algo mais forte que o amor de nós dois
 a solidão a três.

Amor, que pena deste terceto!!!!

De novo surgem perguntas em minha confusa mente apaixonada.

Quem está feliz nesta(s)  história(s)  de pseudo amor?
Você?
Eu?
A Terceira pessoa?
Respondo que somos três enganadores de nós mesmos,
fingindo que estamos amando e vivendo o que escolhemos.
Somos 3 tristes solitários simulando relacionamentos de amor.
Somos 3 covardes, que por medo da solidão,
não assumimos que estamos cada um só
em seu mundinho de imaginária felicidade...
profundamente solitários e insatisfeitos.

É Reveillon...
 é hora de mudança, do novo, hora de recomeço.

Assumo a mim como  companhia... 
deixo você em duo de solidão.
 
 

Magda Almodóvar
 31 de dezembro de 1999

 

 
 
 

 

 

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