Sexo...Convexo...Reflexo               

  



Há uma energia forte que nos impulsiona,
fazendo que estejamos sempre em mutação.

É uma força alimentadora da vida.
Provoca ebulição, renovação constante,
necessidades e busca  saciedade.

Chamo esta energia vital de amor.

Existimos quando estamos amando.

Amar tem diversas formas e nelas está presente a sexualidade.

Amamos quando estamos desenvolvendo um projeto profissional,
ou uma criação artística, mapeando uma meta a ser atingida,
vivendo para um sonho, nos dedicando a pessoas ou causas, etc.
E o amor está em tudo, portanto a sexualidade também.

Quem vive sem amar? conseqüentemente, sem sexualidade?
e sem os reflexos desta energia?

E a prática do sexo? Para mim não é essencial.

Essencial é amar e portanto, viver a sexualidade.
 O sexo,  é o exercício prático, objetivo da sexualidade quando estou amando.
 É a forma concreta de exprimir o amor homem/mulher.
Odeio sexo, mas amando um homem, eu  preciso fazer amor/sexo. 
O sexo é então reflexo!

Reflexos também são o ciúme, a raiva, o medo, a ansiedade,
a saudade, a ternura, uma certa falta de censura,
a beleza que se faz aparente no sorriso, no gesto, no olhar,
no jeito, na forma de andar.
Mais reflexos? a reserva e a entrega, a liberdade e o cativeiro,
a dúvida e a certeza, a alegria e a tristeza... o contrasenso.

Então não me peçam posições definitivas,
textos previsíveis, linearidade.
Esperem só a coerência de estar me contradizendo.

Definido e definitivo  tenho o amor por meus pais,
meus filhos, meus irmãos, sobrinhos, tios e primos,
umas poucas especiais pessoas que são meus amigos,
meus cãezinhos e meu lar.

Constante é minha parceria com a Drica
que cumplicia com minha expressão e sentindo igual ou não,
dá imagem ao meu sentimento.

Imutáveis os valores que acredito:
verdade, justiça, lealdade, fidelidade, honestidade e amor.

Então verão repetições em meus temas,
novidades, definições, indecisões.

Aqui estão meus conflitos e  minha serenidade.
Entrarão em contato com minha previsível inconstância,
imprevisível mesmice, me lerão piegas, criança,
madura, racional, carente, independente,  
noutro momento contundente e algumas vezes mordaz.

É que sou gente, mutante por natureza,
e de tanto amar me pego desamando,
desaprendendo e continuo amando, aprendendo,
sonhando e pretendendo viver o amor e seus reflexos,
sejam côncavos ou convexos, planos ou sinuosos,
alegres ou torturantes, medíocres ou geniais.

 

Magda  Almodóvar
Março/2000

 

 

 

 

 

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