Vou embora,
Não me peçam prá ficar.
Vou me reciclar,
Energizando meu interior.
Naquele lugar/refúgio
Na praia de Geribá.
Vou abrir toda a casa,
Arejar meu quarto.
Pendurar a rede na varanda,
Acender um incenso de rosa vermelha.
Dizer olá para o casal de morcegos
Que mora na folha do coqueiro.
Caminharei pela praia
Revendo gaivotas e o mar.
Quero reencontrar meus vizinhos.
Ouvir Walmir cantando Cartão Postal.
E ver Luizinho entrando na Taj Mahal.
Quero rever meus amigos
Rui, Bia e Carminha.
Bater papo com a Telma
E comprar cigarros com a Márcia.
Vou me deliciar com salmão no 77,
Aproveitar e matar saudades da Beth.
Na Samsara vou comprar incenso e
Escolher um livro sobre Confúcio.
Tomarei café no Chez Michou
No Mr Ice um sorvete de chocolate.
Vestida com minha canga,
Sentarei lá na sala e ouvirei minhas músicas prediletas
Enquanto releio Baudelaire.
À noite vou em minha loja favorita
Procurar antigos CDs de mitos.
Depois, seguindo o ritual,
Vou ouvir Jazz e Bossa Nova no Havana.
De volta à casa vou passar pelo caminho
Que a pouco redescobri.
Terei então comprado uma nova camisola
Lençóis em tons de azul.
Tudo isto com direito a pudim,
Torta de limão, trufas, filmes e pão de queijo.
Abraçarei meu mundo querido
Que lá um dia encontrei.
Lá é mais que Pasárgada
Sou do sol a namorada,
Sou da lua amiga e confidente,
Sou simplesmente gente.
Por isso preciso voltar,
Para matar as saudades,
Me embalar no aconchego,
Cantar amor todo o tempo,
Dormir sonhando estrelas,
Conversar com o murmúrio do vento.
Volto breve,
Não se assustem,
Só vou comigo falar!
Volto logo,
Mas agora preciso,
Minha Tara visitar.