Visto-me
com a amargura
Calço a solidão tortura
Olho no espelho e me vejo
Triste, magra, sofrendo.
Aqui nada mais tem gosto
Nenhum perfume impregna meu corpo
Não há corpos para abraçar
Rodeiam-se só espectros
Fantasmas dos que amei
As vozes que ouço são lamentos
Onde o sol que um dia me bronzeou?
Onde o mar azul que muito me refrescou?
Onde o homem querido
que
me dizia loucuras?
As ruas estão escuras
Nem mais pardais eu encontro
As flores estão todas murchas
O banco de dizer juras
Está quebrado
O piano desafinado
O incenso virou pó
Preciso mudar daqui
Quero ouvir cantoria
Na voz de um sabiá
Colher flores no jardim
Um lindo sorriso encontrar
Bandeira em Pasárgada
Tinha Mãe d'água
Para histórias contar
Tinha rio, bicicleta
E, de quebra , tinha o mar
Lá tinha a mulher que desejasse
E cama para escolher
Era amigo do rei
E como rei se sentia
Vou voar em fantasia
Percorrer o mundo inteiro
E hei de achar um lugar
Onde o amor seja rei
A sinceridade rainha
O desejo seja príncipe
A fidelidade princesa
Neste reino encantado
Serei amiga de todos
Do rei, da rainha ,
Da plebe e do capelão
Lá nunca terei vontade
De morrer, chorar,
Gemer ou lamentar
Lá verei estrelas
Nos olhos do meu amado
Em meus olhos o brilho da lua
Juntos, céu iluminado
Caminharemos pelo Arco Íris
Nos banharemos em cascatas
As sereias farão cantatas
Para dormirmos a sesta
Mais importante porém
Será saber que ninguém
Será mais feliz que nós dois
Vou me embora pra nossa Pasárgada
Lá sou mais que rainha
E ele é mais que um rei
Somos amantes da vida
Seremos mais do que eu sonhei