Encontrarei minha Pasárgada

 

Visto-me com a amargura
Calço a solidão tortura
Olho no espelho e me vejo
Triste, magra, sofrendo.

Aqui nada mais tem gosto
Nenhum perfume impregna meu corpo
Não há corpos para abraçar

Rodeiam-se só espectros
Fantasmas dos que amei
As vozes que ouço são lamentos

Onde o sol que um dia me bronzeou?
Onde o mar azul que muito me refrescou?
Onde o homem querido

que me dizia loucuras?

As ruas estão escuras
Nem mais pardais eu encontro
As flores estão todas murchas

O banco de dizer juras
Está quebrado
O piano desafinado
O incenso virou pó

Preciso mudar daqui

Quero ouvir cantoria
Na voz de um sabiá
Colher flores no jardim
Um lindo sorriso encontrar

Bandeira em Pasárgada
Tinha Mãe d'água
Para histórias contar
Tinha rio, bicicleta
E, de quebra , tinha o mar

Lá tinha a mulher que desejasse
E cama para escolher
Era amigo do rei
E como rei se sentia

Vou voar em fantasia
Percorrer o mundo inteiro
E hei de achar um lugar
Onde o amor seja rei
A sinceridade rainha
O desejo seja príncipe
A fidelidade princesa

Neste reino encantado
Serei amiga de todos
Do rei, da rainha ,
Da plebe e do capelão

Lá nunca terei vontade
De morrer, chorar,
Gemer ou lamentar

Lá verei estrelas
Nos olhos do meu amado
Em meus olhos o brilho da lua
Juntos,  céu iluminado

Caminharemos pelo Arco Íris
Nos banharemos em cascatas
As sereias farão cantatas
Para dormirmos a sesta

Mais importante porém
Será saber que ninguém
Será mais feliz que nós dois

Vou me embora pra nossa Pasárgada
Lá sou mais que rainha
E ele é mais que um rei
Somos amantes da vida
Seremos mais do que eu sonhei

 


Magda Almodóvar
  Março/2000



( Pasárgada de Manuel Bandeira inspirou este momento )

 

 
 

 

 

 

 

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