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Despedida
...nem precisa de um encontro ou um jantar...
Tudo passa
Tudo muda...
Eu permaneci, em muitos aspectos,
Rigorosamente igual.
Logo, logo vou ser vovó
De uma menininha que se chamará Magda
Não sei se porisso,
Pelo enorme compromisso
De ter dela o nome,
E também o sobrenome,
Que me peguei a pensar...
Quem sou eu afinal?
Bom coração?
Com certeza.
Parceira, cúmplice,
Dadivosa?
Sou tudo isto também.
Tenho, porém algum problema,
Um vazio - que ao escrever denuncio-
Que cada vez aumenta mais.
Procurei identificar e descobri...
Erro ao amar.
Não que eu me omita,
Ou que deixe de por inteiro me entregar.
É que me descobri muito aflita
No ato de muito me dar.
Lembrei que já falei da solidão...
Da falta de feedback na relação...
De me sentir pouco prestigiada pelos que amo
E sei que sou amada.
Passei a observar meu jeito efusivo de dar
...Em qualidade e em quantidade.
Passei a observar a maneira como o outro recebe
E o pouco valor que ele dá.
Agora sei porque sinto um vazio...
É falta de valorização.
E é um paradoxo, porque sei o quanto me amam!
E precisam de mim!!!!
Comecei um processo de Despedida...
Digo adeus ao meu velho jeito de amar...
Vou indo me isolar em algum lugar,
Enquanto espero a Magda chegar...
Levo só bagagem de mão.
Quero mudar meu guarda roupa...
Quero mudar meu estilo...
Quero muito dançar...
Conhecer novas pessoas...
Ouvir, pouco falar...
Recomeçar...
Não sei se fico em Búzios.
Talvez prefira um outro lugar
Que não tenha lembranças em cada cômodo...
Não sei como serei no Futuro...
Sei que desta Magda me despeço,
Não em todos os aspectos,
Apenas no medo de perder
Que, suponho, é responsável pelo excesso de dar.
Vazios? Nunca mais!
Estou tristonha e decepcionada,
Não com os amados,
Mas comigo.
Valorizo cada sorriso, gesto, presente,
Ainda que uma escova de dente...
Faço questão de alardear o meu amor
E até crio oportunidades para dizer
que o outro nisto ou naquilo me ajudou.
Faço meus os sonhos deles,
Digo Presente sempre que me solicitam.
Enquanto isto os amados recebem o que dou
Com tal simplicidade, que soa até como descaso,
Ou um grande pouco caso...
Meus sonhos?
Quando conto viram pesadelos! (disto também já falei!)
Um deles nunca sabe como me apresentar!
Ora sou amiga,
Uma quase desconhecida...
Ora sou a doutora...
Ora só um nome...
Se presenteio, conta para os outros que ganhou...
Sem mencionar de quem!
Ou simplesmente que comprou...
Hoje vivi a última experiência no dar
E ouvir do outro uma frieza,
como se dar fosse minha obrigação!
Fez-me sentir uma serviçal doadora, que nem remunerada
é!
Isto foi a gota d´água...
Nem vou mencionar,
Ele pode ler, se dar conta e chorar!
Sinto um orgulho tão grande ao apresentar meus amados!
E os coloco em destaque em tudo que faço.
Almoço, viagem, poesia...
Vou mesmo me despedindo...
Mudo meu jeito e de alguns amores em definitivo me
afasto...
Não quero ser sozinha responsável pelo laço de nossa
união...
Não quero viver na sombra...
Ter negadas minha existência e a parceria que
fazemos...
Vou voltar menos dadivosa...
Talvez encontrar um novo amor...
Que sabedor do que valho, me exiba, pegue no colo,
Fale para todos da importância de mim e do nosso amor.
A todos deixo um presente...
Aposto que este valorizarão!
Minha netinha então vai dizer com muito orgulho:
Vovó é um mulherão!
Beijo a todos então...
Magda
Almodóvar
8/Fevereiro/2001
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