Beijo, amor querido

 

É fácil pegar suas coisas,
Aquelas que dei com carinho,
De pouco valor material,
Mas que tem embutidas nelas
Toda a minha vontade
De fazer você feliz,
E ver seu sorriso criança.

É fácil juntar suas roupas, fotos e CDs,
Colocar numa bolsa e
Entregá-las a você.

Difícil é retirar de meu peito este vazio...
O seu cheiro na fronha,
Sua marca no lençol,
Seu perfume de minha roupa,
Seu gosto de minha boca.

O que faço com meu amor que resiste
E ainda ama?

Não ter mais marcas de amor em meus seios.
Não reter seu pênis em minha vagina depois do gozo conjunto,
Não ter seu peito prá dormir,
Sua mão prá me afagar,
O Café da Manhã na cama,
Sua música no ar...

O que faço com a saudade
Que já teima em me abraçar?

Os passeios de mãos dadas,
Você carregando minha bolsa.
E aquele banho de champagne,
O beijo salgado de mar.

O que faço com o desejo de a você me entregar?
Sua mão apertando minha coxa
Equanto você dirigia.
Você me levando no colo
Prá nossa cama.
As músicas que escolhia
Para juntos ouvirmos e amar.
Seu grito de alegria na surpresa
De que tinha mais orgasmos prá me dar.

Lembra quando veio me conhecer?
Tinha um olhar cético,
Um quê de desencanto.
É como estou agora.

Espere só um pouquinho, por favor!!!

Vou colocar na bolsa
Toda a dor que sinto,
O vazio,
A solidão,
O anel de noivado,
Os bilhetes de amor,
As reservas do hotel,
O CD do Grover,
Minhas poesias que nunca leu.


Vou também enviar seus textos,
Que li e gostei muito,
Um livro de Baudelaire,
Um outro de Herman Hesse,
Uma aquarela de Búzios

Comprada no MNBA,
Seu perfume que escolhi.

Carregue também,
Eu lhe peço,
Esta decepção macabra,
Meu adeus às ilusões,
Assim, de dor não sobra mais nada!

Fica comigo a certeza
De ter sido sua rainha...
De ter sido seu sonho,
Seu gozo, sua alegria.

Leve minha carinhosa gratidão,
Pelo muito que me fez feliz e
Por ter me pedido em casamento...
E não chore de saudade.

Vou me arrumar,
Vestir o vestido branco.
Enxugarei o meu pranto,
E me farei de novo encanto.
Preciso estar plena,
Com capacidade de amar,
Eu sei daquele outro

Que logo virá me amar.

 

Magda  Almodóvar
num dia triste do ano 2000

 

 

 

 

Hosted by www.Geocities.ws

1