Anjo e Demônio



Será que existe sempre um ou outro?
Será que só existe a possibilidade de ser um dos dois?

É! Filme de western americano
Tinha mocinho e bandido
... e sempre o mocinho vencia!
Era sempre o Bem e o Mal...
O Demo e o Anjo...
A Fada e a Bruxa...
O marginal e a polícia...
Sempre cada um em seu território...
Sempre a luta entre os opostos...
Sempre a Justiça dando ganho de causa ao honesto...
A Justiça Divina protegendo os puros de coração...

Hitler, Mussolini,
A Madrasta Malvada,
Todos perderam sua batalha
Contra os fracos e oprimidos.

Bons tempos estes!
Era muito gratificante saber
Que os cidadãos corretos tinham proteção!

Hoje é bem diferente!
Os " bonzinhos" americanos
Perderam a guerra para os "desalmados" vietcongues...
Aqueles que viram seus apartamentos/sonhos
Em entulho se transformar
Vivem sem teto
E o desumano que os lesou
Está vivendo nababesca e impunemente..

É! Já nem mais sabemos onde está o certo e o errado
Porque hoje o premiado era o que antes era condenado!

Então me pergunto sobre o Anjo e o Demônio!
Creio que agora não mais existem fronteiras em seus territórios.
Cada um deles transita de um lado para outro
Sem nem precisar Passaporte!

Aí, surge em meu pensamento,
Uma lembrança de um terrível momento!
Não tem muita ligação
Com estes questionamentos
Que envolvem disputa de poder...
Mas como não mais me exijo linear coerência...

Olho para dentro de mim
E lá vejo um Anjo lindo
Branco como a ternura
Semblante calmo
Pele com leve brilho
Olhos meigos sorridentes
Sentado em uma nuvem....

Olhando para o lado,
Não sei se esquerdo ou direito,
Vejo um Demo de olhos faiscantes
Corpo robusto
Peito desnudo e musculoso
Ar sedutor e sarcástico,
Confortavelmente instalado numa cadeira de espaldar alto...

Então reconheço por fim,
Que dentro de mim existem os dois
Que se alternam na gerência de minha vida...

Quando canto, é o Anjo...
Quando amo, é o Anjo...
Quando defendo uma causa justa, é o Anjo...
Quando faço amor, é o Anjo..
Também o Anjo é responsável
Pela minha tolerância
Meu jeito criança
Um ar de Esperança....

Quando odeio, é o Demo...
Quando  descreio, é o Demo...
Quando desconfio, é o Demo...
Quando firo alguém que amo, é o Demo...
E se de cigarro me enveneno, é o Demo...

Demo..lidor
Será?

Acho que se não fosse o Demo a  me empurrar
Jamais cometeria a ousadia de falar de fantasias...
E nem teria a coragem de um livro publicar...
E muitas vezes o Anjo me impede,
Por medo de ser injusta,
De meus direitos reivindicar...


Chego à conclusão
Que sou Anjo e Demônio,
Mas concluo também,
Que estes são da minha humanidade a prova
Acertando e cometendo falhas...

Não são a Praga e a Paz,
A Peste e a Sanidade...
São apenas o equilíbrio
Quem sabe oscilação...
O argumento que ratifica
Minha condição humana.
Sou babaca
Sou cruel
Sou mel
Tormento
Engano
Sou fel
E Papai Noel...

Confuso?
E quem disse que
Sou capaz de esclarecer?

Passo só para o papel meus conflitos e dúvidas...
Solução?
Deixo para os filósofos e profetas...

Quero só ser o que sou
Confusa
Equilibrada
Autêntica
Apaixonada
Doce amada
Cidadã irada
Gata
Menina
Mulher

Ou Anjo Demoníaco...
E nada de ponto final!



Magda Almodóvar



P.S.: o que este questionamento faz aqui em "A Porta-voz dos Amantes"? Já sei dá permissão para o ciúme, a raiva, a mágoa que sempre se apresentam em nossas vidas quando do amante estamos ausentes, ou estamos sem amante  para amar!

 

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