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Olá... quer saber minha história ?

Depois de viver toda infância, adolecência e juventude enclausurado no meu mundo feminino e proibido, foi somente no ano de 2000 que nasceu a Magally Sanches.... estranho não é ? Pois é.... assim como muitas meninas, depois de muito tempo descobrimos o que somos... graças a BCC no meu caso. Antes porém.... veja como tudo começou...

Eu, o segundo filho entre quatro, sempre fui o mais dedicado para ajudar minha mãe nos afazeres domésticos. Sempre fomos ensinados a ajudar em casa. Eu gostava mais de limpar a casa e passar a roupa. Um dia descobri a calcinha de minha irmã no banheiro, a única menina estre três sapinhos. Era uma calcinha simples de algodão, sem nenhuma renda, mas aquele cheiro me provocou e logo a vesti. ... claro que fiquei exitadíssima e a conseguência disso foi inevitável. Por várias vezes ... até mesmo anos, foram muitas idas ao banheiro após o banho de minha irmã, pois não podia lenvantar suspeitas em pegar uma peça em seu armário.

Depois começei a arriscar umas visitas no armário de minha mãe, onde encontrava de tudo, inclusive um lindo sapatinho beje que servia direitinho... ou quase, sorte que era aberto no calcanhar.

Com uns 15 anos sempre ia a um supermercado próximo de casa, onde existia um pequeno setor de confecções no segundo andar... e onde quase não ficava nenhum funcionário... Naquela época jamais pensava em passar pelo caixa com uma lingerie... como não tinha coragem de comprar... então roubei uma, depois outra, mais uma. No final já tinha umas 10 peças, entre calcinhas e sultians... e durante o dia, quando dava, usava por debaixo da roupa. Aquilo mexia muito comigo e me arriscava muito porque adorava vestir alguma peça na hora de dormir, até que um dia meu irmão mais velho, que dormia no mesmo quarto, achou onde escondia as lingeries e sumiu com todas. Achei que tinha jogado fora ou entregue a minha mãe, mas quando achei onde estavam, eu mesma encarreguei de dar um sumisso. Depois disso, passei bom tempo sem adquirir (ou melhor, roubar) peças daquele mercadinho... ficava só nas visitas as armários alheios.

Com 17/18, enquanto não passava no vestibular, aquelas brincadeiras (vontade irresistível de usar roupas e sapatos femininos) resumiram-se nas visitas em armários do resto da familia... primas e tias sempre tive bastante. Era uma delícia, pois nesta época já experimentava outras peças como vestidos e saias. Na mesma época, fazia parte de um grupo de teatro que utilizava um salão em um prédio onde havia um grupo de ballet..... puxa.... como gostava de ver as meninas ensaiando aqueles passinhos. Como tinha uma chave do prédio, sempre verificava se alguma das bailarinas havia deixado algo por lá, talvez uma sapatilha de ponta... só para experimentar. Cheguei a pensar na possibilidade de entrar para o grupo de balet, mas não tive coragem. Acho que meus pais não apoiariam.

Tive poucas namoradas, mas uma em especial quando já estava na faculdade, a qual cheguei a comprar para ela várias calcinhas e sultians, pelo menos me satisfazia em comprar um peça tão íntima do vestuário feminino.

Como fui estudar engenharia em outra cidade, morava numa república com vários sapões, o que fez com que aquela menina, que vivia entre quatro paredes, ficasse adormecida por 5 anos, pois era muito arriscado ser pego com algo. A única coisa que guardava, e com muito carinho era uma calcinha hoppe de outra namorada, que hoje é minha esposa. Consegui tal calcinha numa noite em que bebemos vinho. Duas taças de vinho a deixou pra lá de alegre, mas na hora de levá-la para casa, no meio das roupas espalhadas pelo chão, trocamos a zorba pela hoppe. Foi o máximo... rimos muito depois. Guardei aquela como lembrança de uma noite de amor.... bons tempos.

Após a faculdade, não havia muita opção de emprego, então fui morar em outra cidade de São Paulo para fazer mestrado. Nesta fase, morei um tempo com mais um amigo e depois sozinho, o que fez a futura Magally despertar para outras coisas do mundo feminino, pois tinha mais privacidade e mais lugares para esconder minhas peças. Nesta época tive um carro que meu pai havia emprestado, assim aproveitava para arriscar umas saídas para dirigir usando saltos. Comprei muitos sapatos, mas sempre acabava jogando fora com medo de minha noiva (aquela da calcinha hoppe) descobrir, ou porque achava que aquela tentação era coisa temporária (veja os primeiros saltos fotografados).

Era só ficar sozinho, comprava outras peças, até que um dia resolvi descer do carro dar uma volta na rua. Procurei um lugar seguro, bem iluminado e com poucas pessoas após as 22h. Fui caminhar em torno de uma quadra na área hospitalar da cidade. Não encontrei ninguem no percurso... foi muito gostoso, aquele toque-toque do salto mexeu comigo... não acreditava que era euzinha produzindo aquele som. Lembro até hoje.. era um salto fechado de cor preta em veludo... oha ele ai (clique p/ ampliar - depois Back para voltar aqui).

O tempo passou, terminei o mestrado... casei, prestei concurso público e passei. Trabalhava e viajava muito, mas meu guarda-ropas era um armário no serviço, onde tinha somente lingerie e saltos. Considero esta a uma fase de meia transformação. Me achava linda mas faltava mais, pois somente usar peças por debaixo do jeans ou dormir com elas num quarto de hotel foi ficando chato.

Um dia minha esposa achou uma sacola escontida temporariamente na lavanderia, pois acabara de chegar de uma dessas viajens. A casa quase caiu... dificíl foi explicar que aquelas coisas eram minhas. No meu jeito pouco de falar fui contando as coisas do passado, onde acabei fazendo umas sessões numa psicóloga. A internet estava explodindo de novidades e os sites de busca no ano 1999 já proprocionavam excelentes pesquisas. Começei a pesquisar usando termos que mal conhecia.. tipo "desvios de comportamento", "travestismo", etc... menos CD, que para mim ainda era "Compact Disc". Um dia cai no site da BCC e começei a ver que aquilo tudo parecia muito comigo. Foi então que criei o nome fantasia Magally e depois Sanches para preencher o formulário no site de endereço gratuíto.

Neste tempo li muita coisa na web e acabei fazendo contato com a querida Betinha, a qual me apoiou e me inscreveu na BCC. Pouco tempo se passou e em janeiro de 2000 surgiu a oportunidade de ouro para sair do armário e conhecer outras meninas como eu. Betinha então me convida para ir uma festa (uma CDSection) ... a grandiosa festa da Liane Ferraz (a deslumbrante Lia).

Faltava várias coisas no vestuário da Magally. Arrumei a roupa, uma blusinha da esposa, uma saia comprada as pressas e todos itens da maquiagem. Aluguei uma peruca e fui a festa. A partir deste evento (ver toda história em Contos) considero o nascimento de Magally Sanches.

Não consegui esconder de minha esposa a ida na festa da Lia, ela descobriu minha associação a BCC e mais uma vez prometi controlar e tentar deixar o mundo CD. Então pedi a Betinha para me retirar do clube.

Veio a primeira filha... como ela é linda... amo-a demais. Joguei tudo fora novamente, tentei me controlar, procurei me dedicar mais a familia, pois agora tinha a minha baixinha. Entretanto, ao fazer as primeiras viagens, sempre acabava comprando algo. Finalmente, criei coragem e fui a São Paulo comprar minha peruca.

Em 2002 conheci a La Cage des Foulles, um ap mantido por Betinha, Paola e Paula... local exclusivo dessas CD's em que tive a oportunidade de conhecer... um ponto de apoio para se montar em público pela primeira vez... e sair do armário, isto é, as conhecidadas CD Sessions, que podem acabar ali mesmo após algumas fotos ou até mesmo sair pela cidade para alguma festa ou boate.

O BCC foi crecendo com o número de associadas reais e vituai, assim, cada vez que viajo procuro ver se há alguma CD disponível a fim de se montar e sair na noite.... sempre em lugares seguros e animados. Já fui a shopping, bares e até MacDonald, sempre bem arrumada e discreta... uma verdadeira menina bem comportada.

O tempo passou, voltei a fazer mais algumas terapias e minha esposa começou a me entender melhor.... percebia que o sapo da Magally só existia porque existia uma alma feminina nesse corpo... e que necessita de um espaço para que ambos vivam em harmonia.

Minha esposa sempre diz "eu aprendi a te amar pelo que você é e não pelo que você gosta de usar... meu amor por você é muito mais do que voce acredita". E realmente.... tenho me surpreendido com minha esposa... onde tenho recebido alguns presentes femininos como prova desse amor (ver relato do presente de Natal).

Tenho visto no mundo crossdressing que cada uma tem um limite. Claro que não pretendo me transformar numa mulher e viver 24hs essa personagem. Apenas preciso dessa personagem para continuar vivendo. Preciso mais ainda do meu sapo... que é quem sustenta ($$) a Magally... Assim, tenho descoberto que a magia do crossdressing está em viver esta alma gêmea e ter equilibrio para curtir ambas... cada uma ao seu tempo.

Agora, se desejar visite meu álbum de fotos e minhas aventuras em contos reais...

Um Beijo... e obrigada por chegar até o fim desta biografia.

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