Geografia & Poesia ![]()
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Capítulo I 1 - IntroduçãoEste trabalho analisou os impactos sócio espaciais da privatização da Açominas, no município de Ouro Branco, com base na percepção de informantes-chave, envolvidos direta ou indiretamente com o processo de desestatização. Para a conclusão do mesmo, partiu-se de alguns pressupostos: a privatização da Açominas, bem como todo o Programa Nacional de Desestatização (PND), está assentado sobre as bases do neoliberalismo ao redor do mundo, sendo imprescindível para a análise, um breve estudo das raízes neoliberais e sua posterior chegada ao continente sul-americano e aplicação no Brasil e; o caráter exploratório desta pesquisa, tendo em vista a possibilidade dela servir de base para estudos futuros e mais aprofundados a respeito do tema em questão. Em função, também, da exiguidade do tempo, optamos por restringir a análise neste sentido, preparando material para pesquisas futuras.
Como justificativa para a realização da pesquisa, observamos que nos últimos anos tem ocorrido extensos debates sobre a chamada “globalização” e suas implicações em quase todos os países do mundo. É notório que ela é fruto de um movimento maior, em escala mundial, do neoliberalismo e a reorganização do capitalismo no planeta. Esta reorganização gerou, entre outras coisas, uma redução do papel do Estado na economia - quase um retorno ao período histórico referente ao início do século XX - onde “a mão invisível” do mercado regularia naturalmente todo o cenário econômico para o bem comum, deixando para o estado o papel social, apenas. Como veremos no próximo capítulo, uma das facetas do movimento neoliberal é exatamente a redução do papel do estado, como um todo, sendo necessário afastá-lo do âmbito econômico. Uma das medidas tomadas em quase todos os países que adotaram o modelo, foi a privatização de empresas controladas pelo Estado.
Os impactos destas privatizações em termos macroeconômicos são analisados intensamente por vários setores da sociedade, bem como seus reflexos mais gerais. Porém, um problema até certo ponto esquecido nos debates sobre as privatizações é o impacto local das mesmas, em outras palavras, como a população de um município reage ao processo de desestatização, quais seriam os possíveis “resultados” e mudanças mais marcantes? De acordo com OLIVEIRA(1996):
“Há um aspecto extremamente relevante sistematicamente posto de lado no debate sobre as privatizações. Ele se refere à delegação de poderes que o Estado brasileiro fez a muitas de suas principais empresas. Controlando vastas áreas, incluindo reservas indígenas, (...) como Campos, que virou uma espécie de ‘administração’ da Petrobrás(...). Pode o Estado brasileiro simplesmente delegar essas funções a empresas privadas, deixando entregue, agora, aos azares do mercado, questões graves como todas as que cruzam os territórios e as relações especiais que se teceram tendo por base uma ‘empresa estatal’?”
Neste sentido, o objetivo deste trabalho é explorar os impactos sócio-econômicos que a privatização da Açominas teve no município de Ouro Branco, a partir da percepção de informantes chave na cidade. Explorar-se-á mais especificamente esses impactos em relação as seguintes dimensões:
- População;
- Qualidade de vida desta população;
- Economia local;
- Políticas assistencialistas desenvolvidas pela empresa estatal;
- Perspectivas futuras do município.
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