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Pena de morte
Em 1997, a vida da família Ota, comerciantes da Zona Leste de São Paulo, foi abalada por uma
tragédia. Yves, uma criança de cinco anos de idade, foi seqüestrada em troca de um resgate. Mas
o menino foi morto por ter reconhecido um dos seqüestradores, que era segurança do mercado do seu
pai, Massataka Ota.
Mesmo assim, os bandidos continuaram as negociações até que o esconderijo e a verdade foram
descobertos.
Apesar disso, Massataka não iniciou uma campanha pela pena de morte, como seria de se esperar.
Pelo contrário, ele quer instituir a data da morte de seu filho como o Dia Nacional do Perdão...
Erro fatal
A maioria das pessoas ignora que não se pode simplesmente executar um suspeito de cometer um crime
sem provas. Quando se condena à cadeia alguém e depois descobrimos que ele é inocente, como foi o
caso dos donos da Escola Base, acusados de praticar orgias com as crianças sob sua guarda,
pode-se no mínimo oferecer uma compensação financeira pelo mal causado.
Mas e quando o prisioneiro é executado e só depois se descobre sua inocência? Como reparar o erro?
Indenizando sua família?...
Crueldade e pena de morte
Segundo Carvalho Filho, autor do livro O que é Pena de Morte, esse tipo de punição tem duas funções: a de
satisfazer um sentimento de vingança e cumprir um papel de intimidação.
A pena capital tem um paradoxo, identificado pelo autor: quanto menor é a agonia do prisioneiro,
menor é o apoio a tal tipo de punição. As pessoas que apóiam tal medida, apreciam-na justamente
pelo sofrimento que causa ao condenado. Medidas e técnicas criadas para minimizar esse
sofrimento, como a guilhotina e a injeção letal, são malvistas...
A visão espírita da pena de morte
É muito simples dizer que o Espiritismo é contra a pena de morte. Mas é preciso que saibamos
quais argumentos a Doutrina oferece. Muitos desses argumentos são usados também por não-espíritas,
como o respeito fundamental à vida e o fato de a pena capital não amedrontar os criminosos em
suas práticas.
As questões 760 a 765 de O Livro dos Espíritos tratam do tema. Na resposta da
questão 760, por exemplo,
declara que "sua supressão assinalará um progresso da Humanidade. Quando os homens forem mais
esclarecidos, a pena de morte será completamente abolida da Terra". Mas lamenta o fato dessa época
estar muito longe de nós. Temos muito trabalho até alcançarmos esse objetivo...
Além do raciocínio feito acima, o Espiritismo alerta para a influência que os espíritos dos
condenados, revoltados pela punição sofrida, podem exercer sobre pessoas violentas ou com
tendências criminosas.
No capítulo V de O Evangelho segundo o Espiritismo, Fénelon discorre acerca da longevidade do
homem mau comparado à do homem de bem. Ele salienta que é muito mais produtivo para o primeiro
ter uma vida longa, pois terá oportunidade de refletir sobre sua vida e, eventualmente,
arrepender-se. Isso abre caminho para que possa se redimir, ao passo que um jovem criminoso
condenado à morte poderá desencarnar revoltado e, como foi citado acima, influenciar outros
criminosos...
(fonte: Revista Cristã de Espiritismo, Ano 02, no. 10)
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