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Não julgar
À primeira vista soa estranha,
incompreensível, esta recomendação de Jesus, que figura no Sermão da
Montanha. Como não identificar o certo e o errado, o mal e o bem,
aprovando e favorecendo este último e evitando e cerceando aquele?...
Há que aprofundar o exame desta passagem.
Analisar corretamente os fatos - superando ilusões, interesses ou
preconceitos - e identificar sua natureza boa ou má nada tem de errado,
pelo contrário, evidencia maturidade e constitui mesmo um objetivo a ser
alcançado pelo espírito em sua trajetória evolutiva. Outra coisa é
pretendermos julgar as pessoas, sobretudo condená-las, em função do que
nos é dado observar de sua conduta.
Somos diferentes em função de nosso passado espiritual, recebendo
influências distintas em termos de família e grupo social, influências
que assimilamos de maneira peculiar, individualizada, de que resulta o
caráter singular de nossos atos.
Certamente existem leis e pessoas encarregadas de aplicá-las para o
funcionamento da vida social. Que nos abstenhamos, contudo, de fazer coro
aos que condenam e malsinam, desconhecendo, ou esquecendo, que nós, os
espíritos em evolução na Terra, já cometemos e, em esmagadora maioria,
ainda podemos cometer delitos mais ou menos graves.
Comentando esse ensinamento, assim se expressou Allan Kardec: "A
censura lançada à conduta de outrem pode obedecer a dois móveis:
reprimir o mal, ou desacreditar a pessoa cujos atos se criticam. Não tem
escusa nunca este último propósito, porquanto, no caso, então, só há
maledicência e maldade. O primeiro pode ser louvável e constitui mesmo,
em certas ocasiões, um dever porque um bem deverá daí resultar e
porque, a não ser assim, jamais, na sociedade, se reprimiria o mal...
Jesus não podia proibir de se reprovar o mal, pois, ele mesmo nos deu o
exemplo disso, e o fez em termos enérgicos..."
O Evangelho segundo o Espiritismo - Cap. 10, 13
(parte integrante do jornal Serviço Espírita de
Informações, de 30/09/2000, No. 1696 - matéria de S. Xavier)
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