Morrer

Dotado de discernimento o ser humano sempre defrontou na morte um fato perturbador. Com efeito é impossível, naquela hora, evitar a comparação bem como as indagações que ocorrem, espontâneas: anteriormente em plena vida e agora a completa imobilidade. Seria mesmo o fim de tudo? E aquela individualidade que observamos, por vezes, durante largo tempo, que fazia planos e buscava concretizá-los, que lutava, alegrava-se, sofria? Ter-se-ia anulado com a disjunção celular?
A resposta a tais questões é de importância capital. Se somos apenas matéria, a existência não tem sentido nem finalidade, cabendo-nos tão-somente enfrentá-la, procurando usufruir o mais possível, ainda que com prejuízo para os outros, antes do aniquilamento que a todos aguarda. Se, pelo contrário, continuamos, como será essa continuidade? A religião se propõe a responder aquelas perguntas oferecendo também descrições das realidades espirituais e estabelecendo, em função delas, diretrizes para a vida na Terra ...
Por isso pôde o Codificador afirmar: "...Com o Espiritismo, a vida futura não é mais simples artigo de fé, ou simples hipótese. É uma realidade material provada pelos fatos. Porque são as testemunhas oculares que a vêm descrever em todas as suas fases e peripécias, de tal maneira, que não somente a dúvida já não é mais possível, como a inteligência mais vulgar pode fazer uma idéia dos seus mais variados aspectos, da mesma forma que imaginaria um país do qual se lê uma descrição detalhada. Ora, esta descrição da vida futura é de tal maneira circunstanciada, são tão racionais as condições da existência feliz ou infeliz dos que nela se encontram, que acabamos por concordar que não podia ser de outra maneira, e que ela bem representa a verdadeira justiça de Deus."
O Evangelho segundo o Espiritismo - Cap. 2, 03

Não mais especulação, mas conclusões baseadas na observação.
Não mais o fantasma do fim, mas apenas mudança de plano para a consciência espiritual indestrutível.
Não mais separação eterna, mas a continuidade das ligações afetivas.
Não mais situações definitivas, mas renovação incessante, ensejando progresso e esperança.

(parte integrante do jornal Serviço Espírita de Informações, de 28/10/2000, No. 1700 - matéria de S. Xavier)

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