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Intercâmbio
A Doutrina Espírita veio nos
mostrar que há um permanente intercâmbio entre os dois planos da vida. A
morte não representa uma barreira entre vivos e mortos, que prosseguem
convivendo e se influenciando. Para os encarnados esse tipo de
comunicação é quase sempre inconsciente, isto é, dentre as idéias que nos
surgem, não podemos em geral distinguir as que nos chegam do mundo
invisível das que provém de nós mesmos. A Doutrina chama de
médiuns aquelas pessoas em quem essa comunicação se faz de forma
perceptível e com certa regularidade, acrescentando que se trata de uma
disposição orgânica que nada tem a ver com o desenvolvimento moral de seus
portadores. Foram médiuns os profetas e grandes líderes do
passado que, sob inspiração superior, trouxeram aos homens roteiros de
conduta com vistas ao progresso. Compreensivelmente ocorreram também
abusos, pois, dada a nossa imaturidade, sempre houve e continua a haver
quem imaginasse poder utilizar o concurso dos espíritos para obter
vantagens materiais. Vale destacar que, com Jesus, esse intercâmbio se
sublima, mostrando o Mestre como direcioná-lo para a exclusiva produção do
bem. Conforme atestam os registros da Boa Nova, a mediunidade era de
uso corrente entre os primeiros cristãos (I Cor, 6,12; Atos, 13,2),
proporcionando-lhes esperança e força naquele período difícil, de
intolerância e perseguição. À medida, porém, que o tempo transcorreu, que
as perseguições se atenuaram e até cessaram e o cristianismo se
estruturou, inclusive com uma hierarquia, preocupações materiais
adquiriram crescente importância e, paralelamente, ocorreu um progressivo
cerceamento da mediunidade que passou a ser pouco utilizada, depois
evitada e, por fim, completamente banida como manifestação demoníaca. Essa
mudança de atitude está provavelmente associada ao fortalecimento da base
material e administrativa do movimento cristão, pois as advertências e
orientações transmitidas pelos médiuns fugiam ao controle dos dirigentes
humanos do trabalho, passando a preocupá-los e de certa forma a
incomodá-los, donde o paulatino banimento acima descrito. Silenciada
durante séculos, a mediunidade foi estudada e novamente dignificada no
âmbito do Espiritismo, voltando a ser mais um instrumento a serviço de
nosso progresso e de nossa felicidade. Por outro lado, o conhecimento
acerca da generalidade desse intercâmbio, de que todos participamos e não
apenas os médiuns, nos permite compreender melhor a importância da
recomendação de Jesus: "vigiai e orai", pois, conforme direcionarmos nosso
interesse e nossa atenção, poderemos entrar em sintonia com mentes
enobrecidas, que nos auxiliarão a superar os desafios da existência, ou
acomodar-nos, lamentavelmente, com as sugestões da ignorância. Assim,
portanto, vigilância e oração, a se traduzirem em pensamentos e ações
direcionadas ao bem. O Livro dos Médiuns - Introdução e item
159
(parte integrante do jornal Serviço Espírita de
Informações, de 26/08/2000, No. 1691 - matéria de S. Xavier)
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