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Deus
existe?
O 1o capítulo de O Livro dos Espíritos trata
exclusivamente de Deus. Allan Kardec pretendeu demonstrar, com isso, que o
Espiritismo tem na existência de Deus o seu primeiro princípio
basilar.
Allan Kardec indaga aos Espíritos sobre a figura
Singular e Inigualável do Pai Celestial. De forma lógica, não usa a forma
"Quem é Deus?" que daria um sentido de personificação, uma idéia
antropomórfica, mas busca ele a natureza íntima, a essência das coisas,
formulando a proposição desta forma: "Que é Deus?", ao que os Espíritos
respondem: "Deus é a inteligência suprema, causa primeira de todas as
coisas."
Racionalmente, temos a prova da existência de Deus neste
axioma: "Não há efeito sem causa." Vemos constantemente uma imensidade de
efeitos cuja causa não está na humanidade, pois a humanidade é impotente
para produzi-los. A causa, portanto, está acima da humanidade. É esta
causa que se chama Deus.
Outro princípio igualmente
elementar e que de tão verdadeiro passou a axioma é o de que "todo efeito
inteligente tem que decorrer de uma causa inteligente."
Os efeitos
referidos acima absolutamente não se produzem ao acaso, fortuitamente e em
desordem. Desde a organização do mais pequenino inseto e da mais
insignificante semente, até a lei que rege os mundos que circulam no
espaço, tudo atesta uma idéia diretora, uma combinação, uma providência
que ultrapassa todas as combinações humanas. A causa é, pois,
soberanamente inteligente.
O sentimento
instintivo que todos os homens têm da existência de Deus é, sem dúvida,
uma forte evidência de Sua realidade. Esse sentimento não é fruto de uma
educação, resultado de idéias adquiridas pois ele é universal, encontra-se
mesmo entre os selvagens a quem nenhum ensino a respeito foi
ministrado.
Alguns atribuem a
formação primária das coisas a uma combinação da matéria, isto é, ao
acaso. Isto constitui uma insensatez, pois o acaso é cego e não pode
produzir os efeitos que a inteligência produz. Um acaso inteligente já não
seria acaso.
Afirma Allan Kardec,
baseado no pensamento dos Espíritos Superiores, que não é dado ao homem
sondar a natureza íntima de Deus. Para compreendê-lo, ainda nos falta o
sentido próprio, que só se adquire por meio da completa depuração do
espírito. Mas, se não pode penetrar na essência de Deus, o homem pode,
pelo raciocínio, chegar a conhecer-lhe os atributos necessários, suas
qualidades básicas, porquanto, vendo o que ele absolutamente não pode ser,
sem deixar de ser Deus, deduz daí o que ele deve ser.
Sem o
conhecimento dos atributos de Deus, impossível compreender a obra da
Criação. Esse o ponto de partida de todas as crenças religiosas e é por
não se terem reportado a isso, como ao farol capaz de as orientar, que a
maioria das religiões errou em seus dogmas. As que não atribuíram a Deus a
onipotência imaginaram muitos deuses, as que não lhe atribuíram soberana
bondade fizeram dele um Deus cioso, colérico, parcial e
vingativo.
Podemos assim dizer que Deus é ETERNO, IMUTÁVEL,
IMATERIAL, ÚNICO, ONIPOTENTE e SOBERANAMENTE JUSTO e
BOM. a) Eterno: Deus não teve começo e não terá fim. Se tivesse tido um
princípio, teria saído do nada; ora, o nada não existe. Ou, então, teria
sido criado por outro ser. Nesse caso, este ser é que seria Deus. b)
Imutável: Se estivesse sujeito a mudanças, nenhuma estabilidade teriam as
leis que regem o Universo. c) Imaterial: Sua natureza difere de tudo o
que chamamos matéria. De outro modo, não seria imutável, pois estaria
sujeito às transformações da matéria. d) Único: Se houvesse muitos
Deuses, não haveria unidade de vistas nem de poder na organização do
Universo. e)
Onipotente: Se não tivesse o poder soberano, haveria alguma coisa mais
poderosa ou tão poderosa quanto Ele, que assim não teria feito todas as
coisas. E aquelas que Ele não tivesse feito, seriam obra de um outro Deus.
E então Ele não seria único. f) Soberanamente Justo e Bom: Sua
sabedoria revela-se pela natureza de suas leis de amor, que regem a
justiça por todo o Universo.
O que diz o nosso amigo Chico? O médium
Francisco Cândido Xavier, certa ocasião, revelou que não há nada que possa
entristecê-lo mais do que estar diante de alguém que se confessa ateu.
Realmente, é causa
de profundo pesar e ficamos imaginando o vácuo que se abisma ao redor de
tão infeliz criatura.
Frases: "O
acaso é, talvez, o pseudônimo de Deus, quando não deseja assinar".
(Theophile Gautier)
"O mundo me intriga e não posso imaginar que
este relógio exista e não haja relojoeiro".
(Voltaire)
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Bibliografia: * Jornal Serviço Espírita de Informações, 20/01/2001,
No. 1712, matéria de Rogério Coelho * Curso de Introdução à Doutrina Espírita -
Instituto de Difusão Espírita de Juiz de Fora - MG * Curso Básico de
Espiritismo - FEESP
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