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Ciência e
Fé
"O Espiritismo acompanha o que a Ciência informa: se a Ciência
provar que o Espiritismo está errado num ponto, nós abandonaremos este
ponto e seguiremos a Ciência."
Allan Kardec
Ciência é conhecimento sistematizado a partir da
observação e do estudo dos fatos, com a formulação das leis que os regem.
Milenar, pois, existente já nas civilizações da antiguidade, seu
desenvolvimento se acelerou há cerca de três séculos levando aos
resultados espetaculares da atualidade.
A religião é ainda mais
antiga, pois, acompanha o homem desde a época pré-histórica, tratando de
realidades extrafísicas e propondo diretrizes para o relacionamento
social. A mensagem religiosa é dada por um líder, um profeta, que a recebe
por inspiração por vezes atribuída ao próprio Criador. As informações
então obtidas, chamadas verdades reveladas, passam, com o tempo, por uma
elaboração, recebendo modificações e acréscimos por iniciativa de seus
próprios seguidores. A base doutrinária das religiões assim estabelecidas,
apesar de seu conteúdo marcadamente humano, passou a ser considerado de
origem divina, reunindo, portanto, verdades absolutas, que devem ser
aceitas sem questionamentos, sendo mal vistas quaisquer tentativas de
examiná-las à luz da experiência e da razão.
A atitude acima é
exatamente oposta àquela adotada pela ciência, que se reconhece falível,
proclama a natureza provisória de suas conclusões e não hesita em
corrigir-se sempre que isto se mostre necessário ante os
fatos.
Essa diferença de posicionamento levou a uma separação entre
aquelas duas ordens de idéias. Parecia haver uma contradição insanável
entre pensamento lógico e verdade revelada, entre ciência e
fé.
Surgida na França racionalista em pleno século XIX, a Doutrina
Espírita concilia aquelas duas posições aplicando aos dados da revelação o
controle da razão e realizando o que Allan Kardec denominou de aliança da
ciência e da religião.
Comentando esta questão observou o
Codificador: "... A Ciência e a Religião não puderam entender-se até agora,
porque, encarando cada uma as coisas do seu ponto de vista exclusivo,
repeliam-se mutuamente. Era necessária alguma coisa para preencher o
espaço que as separava, um traço de união que as ligasse. Esse traço de
união está no conhecimento das leis que regem o mundo espiritual e suas
relações com o mundo corporal, leis tão imutáveis como as que regulam o
movimento dos astros e a existência dos seres. Uma vez comprovadas, pela
experiência, essas relações, uma nova luz se fez:... o materialismo foi
vencido... É toda uma revolução moral que se realiza neste momento, sob as
ações dos Espíritos... São fáceis de prever as suas conseqüências: ela
deve produzir inevitáveis modificações nas relações sociais,
contra o que ninguém poderá opor-se, porque elas estão nos desígnios de
Deus e são o resultado da lei do progresso, que é uma lei de
Deus." O Evangelho segundo o Espiritismo - Cap. 1,
08
(parte integrante do jornal Serviço Espírita de
Informações, de 20/01/2001, No. 1712 - matéria de S. Xavier)
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