A meiga e valente Gabi

Amélie-Gabrielle Boudet nasceu na França em 23 de novembro de 1795. Era filha de pais abastados que lhe deram primorosa educação moral e intelectual. Foi professora, escritora, dedicada às artes e à poesia, escrevendo três livros: "Contos Primaveris" (1825), "Noções de Desenho" (1826) e "O Essencial em Belas Artes" (1828). Mas sua missão na Terra foi muito além de seu próprio aprimoramento cultural e espiritual. Estava-lhe reservada a tarefa de ser companheira, incentivadora, colaboradora dedicada e incansável do Professor Hippolyte Léon Denizard Rivail - "o bom senso encarnado", o pesquisador iluminado que codificou a Doutrina Espírita com o pseudônimo de Allan Kardec.
Foram casados durante 37 anos (desde 6 de fevereiro de 1832), sempre unidos e trabalhando pelos mesmos ideais humanitários. Gabi, como Kardec a chamava, era fisicamente frágil, de pequena estatura, mas de grande coragem e força moral. Quando o Professor Rivail iniciou a obra da Codificação, foi Amélie Boudet, então com 60 anos, sua secretária. E depois da desencarnação do mestre lionês, ela lutou com denodo para continuar a obra da divulgação do Espiritismo, não se deixando abater pelas dificuldades surgidas, assim fazendo até 21 de janeiro de 1883, quando, com 87 anos de idade e total lucidez, partiu para a pátria espiritual onde foi recepcionada por elevados Espíritos que, ao lado de Kardec, a receberam com a alegria e a felicidade que ela tanto merecia.
Não tiveram filhos, mas segundo Batuíra, no livro "Mais Luz","a mulher é sempre mãe, não só dos grandes ideais, das abençoadas realizações da vida, dos estímulos ao progresso e, sobretudo, das boas obras". Assim foi essa mulher-modelo, Companheira inseparável de Kardec, foi sempre seu apoio e conselheira, tendo o próprio Kardec declarado, na Revista Espírita de 1865: "minha mulher aderiu totalmente aos meus intentos e me secundou na minha laboriosa tarefa, como o faz ainda, através de trabalho acima de suas forças, sacrificando os prazeres e as distrações do mundo..."
Somos gratos ao Senhor que permitiu, conforme a predição do Mestre Jesus, que encarnasse na Terra esse Espírito abnegado que chamamos de Allan Kardec, cujo trabalho incansável possibilitou aos Espíritos superiores - as grandes vozes do céu - iluminar o caminho dos homens.
Mas nossa gratidão vai mais além: somos gratos por ter o Senhor destinado Amélie Boudet a amparar, a sustentar, a aconselhar e a ser a companheira de todos os momentos de Kardec.
Parafraseando velho ditado popular, diremos "ao lado de todo grande homem vem sempre uma grande mulher".
Como devemos a essa maravilhosa mulher! 

(parte integrante do jornal Serviço Espírita de Informações, de 11/11/2000, No. 1702 - matéria de Isis Jardim)

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