A MORTE DAS LÍNGUAS Quem absorbe as verbas que nascem do meu peito asfixiando-se na minha garganta por ter cosida a boca? Umha mao dentro de mim. Nasce-me no estómago, ascende pola garganta para revirar-me o pescoço quando nom quero e tira-me da lígua cara a dentro. Por que nom a podo mover? Tira-lhe ponta aos sons para pregarmos no cerebro, o sangue inunda meus olhos e nom podo ver como és. A morte das línguas será esquecida na furiosa tortura que identifica o seu comportamento com a censura dos pensamentos dissidentes. A confiança capaz de gerar toleráncia está perdendo na sua resistência.
CICATRIZES DO PARAÍSO. A indiferença nom tragou o ensanhamento no castigo, revelou a intençom de vengança. A mente é a prova do mútuo temor, nom sabemos o quê fazer coa revoluçom. As vitórias som sem sacrifícios? sente as cicatrizes do paraíso. Brilhará a paz emquanto chore a lua ao perder o seu emprego, nom me desculparei por iluminar contigo o céu da terra de liberdade. O sacrifício transmite a miséria dos soldados afogados com o arame de espinha criado polos estados. Apontem soldados, já todo é igual a morte nom vos comove. Mutilades, violades vós sodes o caos. Nom existem heróis, só pedaços cosidos de soldados, nom som donxs deste mundo, é dxs sonhadorxs, pois sempre xs houvo.
A VEJATÓRIA CÓLERA DA DECADÊNCIA Feridas pola agonia mental da resignaçom ocultamos o rosto entre as maos do horror e a vergonha para que as bágoas suportem a contraditória sensaçom do teu sorriso. Honrades à vida com as mais dolorosas tragédias emquanto a vejatória cólera da decadência falece entre as duas pernas. Ponhede-nos de costas para amossar que asas nom temos ainda que voemos em pedaços desde cativas.
O MECANISMO DO MEDO Persegue-nos a apatia como a sombra aos corvos-vampiros que tornam o nevoeiro de côr com os pungentes mistérios da falsa conciência. As despóticas leis da “evoluçom”(progresso) deprime-nos com as suas neuroses, dirige-nos face a obsesiva existência artificial da seguridade que descompom em vómitos os corpos para substituí-los por máquinas capazes de sentir o mesmo que xs humans. Tu também tés medo? Usam-no para gerar o desolador temor a errar. Quem estandariça teus valores? Que estandariça teus temores? As violentas agressons da religiom ao espírito, do capital ao trabalho e do estado à liberdade.
BAIXO O MAR DA DESILUSSOM Nom vos ajoelhedes ante as perpétuas mentiras contagiadas polas desonestas ambiçons dos pescoços que merecem ser cortados porque elxs seguirám criando a lepra da impotência sobre as nossas maos. Enterraram-nos vivxs na costa da morte com a cabeça esperando o mar da desilussom. Submergidxs polo maré da crua cultura contra a vida, nom aspiraremos mais que ao fim do mundo. Baixo o mar da desilussom, as ilhas da devastaçom comprenderám o depredador silêncio da necessidade humám. A vida ante os quartos. Cortaremos os pescoços, que o merecem.
DESERDAXS DA TERRA Corrosivas acçons desta sociedade putrefacta de consumismo converte-nos no reflexo da miséria dumha raça nas suas últimas horas. Deserdadxs da terra, vivimos num campo minado de solitárias reflexons incapazes de corregir o egoísmo, incapazes de destruír a nécia profanaçom da existência. Deserdadxs da terra, condenadxs a sentir sobre a frente um suor alienado pola falsa felicidade material. Deserdadxs da terra, Morreremos submetidxs pola delirante angústia do determinismo criado polo capital? O ser humam será livre emquanto seja educado em liberdade.