PROFECIA


Amanheceu. O dia ainda � noite. O c�u � de um cinza chumbo assustador, recobrindo toda a Terra. E s� h� terra... acabou a �rvore, a flor, a grama... s� terra seca e rachada. A �gua ferve, n�o h� banho, n�o h� um gole para matar a sede. O ar � praticamente toc�vel. Os olhos choram sozinhos com a qu�mica que vai de encontro a eles. O cachorro n�o late pois n�o tem l�ngua, o p�ssaro n�o voa pois n�o tem asas, o peixe n�o nada pois a �gua o matou.

O homem? O que � isso? � um ser inferior, sem for�a, sem pensamentos, com dores eternas. Seu corpo j� n�o � mais o mesmo, est� deformado, seu cor��o � vazio, n�o sabe o que � amar, sua boca n�o pode sorrir porque rasga. Mesmo porque, n�o tem motivos para sorrir. A fome corroi seu est�mago, a sede racha-lhe os l�bios, a esperan�a morre numa l�grima que rola queimando-lhe a pele.

A cidade . . . � fantasma. Corpos degenerados passeiam por entre os escombros, envoltos em trapos sujos, o que restou da roupa. A cidade desmoronou, acabou-se a vida. A fome � grande, come-se a carne dos que morrem; cachorros, gente, ratos, insetos, nada se desperdi�a. O est�mago j� se acostumou. Aceita at� o estrume do animal doente. D�i menos do que quando vazio.

Mas, para que esperar a morte? E ent�o, devoram-se uns aos outros, vivos ou mortos, poders ou doentes. � preciso lutar para viver, n�o importa a forma. O racioc�nio j� n�o mais existe, n�o h� diferen�a entre homem ou animal.

Uma carta do Tar� jogada na sargeta diz: "Um regresso ao passado, uma adapta��o necess�ria". Os homens vivem novamente em cavernas, criadas pelo desmoronamento do mundo.

Aquele que olhar para o c�u e ver a luz, respire o ar que se purifica ao seu redor, e estique a m�o pois alcan�ar� a paz. Aprender� a amar novamente e retornar� para ensinar e fazer renascer o mundo. Levar� consigo a semente para p�r na terra morta, uma gota de �gua para derramar no rio fervente. E a semente germinar�, e o vento a levar� para terras distantes, e plantar-se-�o sozinhas. E a gota de �gua ser� levada pela correnteza, e matar� a sede, e umedecer� a pele rachada.

Aquele que tocar a terra com a m�o esfacelad sem sentir dor, vai entender o sentido da vida, e transmiti-lo aos que est�o morrendo.

Aquele que respirar fundo o ar empoeirado e n�o se asfixiar, expirar� o oxig�nio e purificar� o vento que corre para longe em busca de paz e sossego, levando o recado amigo.

Aquele que banhar-se em rios ferventes e sentir na pele o seu frescor, tocar� no ombro vizinho e consertar� a pele enrugada e morta em vida.

E toda a agonia cessar�. e aqueles que ainda carregam na mente a maldade, ter�o o fim que merecem, e os que se erguerem e olharem para dentro de si e virem um cora��o clamando pela chama da vida, se juntar�o ao grupo e ser�o recompensados. E levar�o a recompensa aos que merecem. Os outros ir�o aprender em terras long�nquas pelo sofrimento.

E ent�o, Ele renascer� do nada, e ser� tudo novamente.


(Silvia Silveira)
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