O Jogo
Madrugada, no quarto de
Kagome...
“Verdade ou desafio?”
“...”
“Inuyasha, você entendeu o jogo ou eu vou ter
que explicar tudo outra vez?”
“É claro que eu entendi, não sou burro. Só
estou pensando na opção mais segura. Se eu a conheço bem, você vai tirar o máximo
proveito seja lá qual for minha resposta”.
“Acho que sim...”
“Viu? É desse sorriso que eu tenho medo”.
“Ah, vamos, pare com isso. Precisa dizer logo ou
vamos passar a noite inteira só nisso. Verdade ou desafio?”
“Vamos passar a noite inteira aqui de qualquer
maneira, então não fique tão ansiosa”.
“A noite inteira aqui? Se alguém pega você
dormindo no meu quarto amanhã de manhã eu não quero nem pensar. Não sei o
que está passando por essa sua cabeça doente, mas vai dar o fora bem antes do
amanhecer. Agora responda antes que eu o expulse. E sem revirar os olhos, é
irritante”.
“Tudo bem, apesar de que eu poderia pensar em
pelo menos uma dúzia de ótimas desculpas no caso de me pegarem aqui. Sou sonâmbulo,
por exemplo”.
“Inuyasha, isso não ia colar para ninguém.”
“Ia colar para Souta.”
“Souta ainda acredita em Papai Noel. Agora pare
de enrolar e responda logo!”
“Verdade.”
“Hm... verdade?”
“Sim, mas não faça essa cara, me faz pensar
que não há opção mais segura”.
“Você manda, manterei minha expressão
completamente neutra. Agora diga, quão longe chegou o seu relacionamento com a
Kikyou?”
“...”
“Sabia que fica uma gracinha assim, vermelhinho
e com esses olhos esbugalhados?”
“Por que tanto interesse agora na minha relação
com a Kikyou?”
“Espere a sua vez de fazer perguntas. Essa foi a
minha, eu fiz, você responde. Pensei que tinha entendido direito as regras do
jogo...”
“Sim, mas perguntas pessoais são permitidas?”
“Por que você acha que é um jogo tão popular?
Pensou que eu ia querer saber qual a sua cor favorita?”
“Você já sabe qual minha cor favorita, sabe o
suficiente para escrever um livro sobre mim.”
“Menos até onde você chegou com a Kikyou e
estou perguntando agora, no caso de um dia querer escrever um livro sobre você.”
“...”
“Responde logo, Inuyasha.”
“Eu a abracei, beijei e parou por ai.
Satisfeita?”
“...”
“O que foi?”
“Foi só isso? Pensei que tivessem chegado muito
mais longe...”
“Ela era uma sacerdotisa! Que tipo de canalha
pervertido você acha que eu sou?”
“Não fale tão alto, vai acabar acordando alguém”.
“E sua mãe e seu avô vão adorar saber o
motivo, afinal, duvido que tenham a menor idéia do tipo de coisa que sua
‘doce’ Kagome costuma pensar”.
“Sua vez”
“Também acho irritante quando você revira os
olhos!”
“Vai passar a vez? Posso fazer outra pergunta
sobre você e a Kikyou...”
“Verdade ou desafio?”
“Desafio”.
“Não é justo. Por que eu tive que responder
uma pergunta constrangedora e você escapa assim tão fácil?”
“Talvez porque eu soubesse que você ia tentar
se vingar.”
“Ah, é assim? Tudo bem. Desafio você a me
beijar.”
“Que?”
“Ué, vai dizer que não vale?”
“Mas é madrugada, estamos sozinhos...”
“A menos de um metro de distância e nossos lábios
estão em perfeitas condições de uso. Vai precisar de uma desculpa melhor.”
“Ah, tudo bem, mas não vai se acostumando...”
“...”
“...”
“...”
“Pronto”.
“Ora, você chama isso de beijo?”
“Você não especificou que eu tinha que dar uma
de donzela vitoriana explodindo de paixão”.
“Nunca conheci uma donzela vitoriana, mas se uma
coisa eu tenho certeza, até uma donzela feudal sabe dar um beijo mais
interessante que você.”
“Como a Kikyou?”
“Quer parar com essa fixação pela Kikyou? Não
é sua vez de me perguntar?”
“Oh, obrigada pela lembrança. Verdade ou
desafio?”
“Verdade. De qualquer maneira é melhor do que
você me mandar tirar a roupa ou coisa do tipo”.
“Inuyasha!”
“Não adianta ficar vermelha, eu sei do que essa
sua mente distorcida é capaz”
“Ah, você me paga... Quero saber o que mais
atraía você em mim quando ainda éramos apenas bons amigos. E sem pensar
besteira ou eu grito e digo ao vovô quando ele chegar que você invadiu o
quarto com propostas indecentes.”
“Ah, querendo passar para mim as suas culpas, não
é?”
“Quem foi que pediu um beijo e depois ficou
pedindo por mais?”
“Eu não pedi por mais, só disse que o beijo
deixou muito a desejar. E quem foi que achou um escândalo eu não ter feito
nada além de abraçar e beijar a Kikyou?”
“Responda logo a pergunta!”
“Ok, pernas”.
“Pernas?”
“Suas pernas são uma visão.”
“Quer dizer que de todas as minhas qualidades, e
há quem diga que não são poucas, você se sentia atraído por nada mais que
as minhas pernas?”
“Se eu disser as outras coisas pelas quais me
sentia atraído você vai realmente gritar e não quero ir parar na delegacia a
essa hora da noite. Caso não lembre, eu moro aqui e não tenho parentes vivos
nos últimos trezentos anos que possa chamar para me tirar de lá.”
“Inuyasha, você se tornou um humano
incrivelmente fútil!”
“Se serve de consolo, eu gostava das suas pernas
bem antes de me tornar humano. Agora pare de reclamar e responda logo: verdade
ou desafio?”
“Verdade”.
“Ora, finalmente uma colher de chá”.
“Não vou correr o risco de você pedir outro
beijo com maiores especificações.”
“O que há de errado com meus beijos?”
“Nada, desde que sejam dados na luz do dia e sem
especificações que a gente só encontra em livros açucarados de banca de
revista”
“Bom saber que você lê esse tipo de coisa, mas
eu estava pensando mais na pergunta que terá que responder”
“...”
“Quantas vezes ao dia você fantasiava com os
meus incomparáveis beijos antes de tê-los só para você?”
“Mas que tipo de pergunta é essa? Alimente meu
ego já inflado o suficiente?”
“Se você pode ser má, eu também posso.
Responda ou terei que começar a fazer perguntas sobre aquele tal de Houjo”.
“Hunf! Depende do dia. Se não tivesse nada para
fazer, umas duas ou três, se fosse dia de prova, estava ocupada demais para
lembrar a sua existência e se estivéssemos no Sangoku Jidai... acho que era
mais interessante imaginar quem era melhor em matéria de beijo, você ou
Sesshoumaru.”
“Você pensava realmente nisso???”
“Por que não? Garotas pensam coisas. Além
disso, não aceito reclamações vindas do cara que escolhe as namoradas pelo
tamanho das pernas. Francamente... Como você fez para ver as da Kikyou? Ficou
espionando enquanto ela tomava banho?”
“...”
“Inuyasha!”
“Ora, não mude de assunto. Você acaba de
admitir que fantasiava sobre o Sesshoumaru!”
“Eu não disse isso, só que imaginava quem
seria melhor... Não sei por que está tão zangado, eu nunca tentei fazer o
teste, fantasiar não tira pedaço.”
“Como assim fantasiar não tira pedaço? Eu
fantasiava muito sobre você e agora estou no seu quarto, às duas horas da manhã,
jogando essa brincadeira perigosa e a uma palavra de um beijo com maiores
detalhes. E se o Sesshoumaru tivesse fantasiado sobre você? Seria ele a estar
aqui agora?”
“Não diga bobagens, isso é muito diferente. Eu
não gostava do Sesshoumaru, só pensei coisas. Você nunca pensou coisas? Também
pensei coisas sobre o Brad Pitt e o Orlando Bloon e nem por isso eles estão no
meu quarto, as duas da manhã, brincando de ‘verdade ou desafio’.
Infelizmente, se quer saber!”
“Está mudando de assunto!”
“Não mudei, só estou explicando que não
precisa ter ciúmes do Sesshoumaru!”
“Não estou com ciúmes do imbecil do meu
meio-irmão!!”
“Não, eu quem estou!!!”
“...”
“...”
“Mas que raios de gritaria é essa no meio da
noite???”
“Oops... Oi, vovô”
“Senhor...”
“Inuyasha! O que pensa que está fazendo no
quarto da minha neta essa hora da madrugada e vestido apenas com esse
pijama??”
“Desafio, Kagome”.
“Desafio você a correr”.
FIM