Jogando Verde


 Retrata��o: Yu Yu Hakusho n�o me pertence. Ainda n�o foi dessa vez que meu plano infal�vel para roubar o Kurama deu certo, mas h� sempre um dia seguinte... u.u

Nota: Sobre o fanfic: Uma festa, SAP (s� um pouco), di�logos nada a ver e um Kurama e uma Botan um tanto quanto OOCs. � s� para rir mesmo... (...)

Presente para Isa � voc� tem que parar de me encorajar a publicar essas coisas estranhas! �.�


 

- Ent�o, querida, como est� seu camar�o?

Shiore Hatanaka sorriu para mim e eu desejei que o ch�o se abrisse e me engolisse para os confins da Terra misericordiosamente naquele momento. Olhei para o lado, onde Kurama conversava o mais alegremente que se podia imaginar em se tratando dele, ignorando completamente meus olhares assassinos, e sorri de volta maquinalmente. Como ele tinha tido a coragem de fazer uma coisa daquelas comigo? Eu fiz a pergunta pelo que deveria ser a cent�sima vez. Aquilo tudo tinha que ser um sonho. N�o, um pesadelo! Era de Kurama que eu estava falando. Levar uma garota com que voc� mal manteve uma ou duas conversas educadas durante os �ltimos tr�s anos, desavisada, e apresenta-la a m�e como sua noiva era algo que nem mesmo Yusuke faria, o que dizer ent�o dele?

Permaneci parada, em sil�ncio, tentando ao m�ximo passar despercebida diante dos parentes que insistiam em me cumprimentar e abra�ar. Raios! Eu podia ter pego o maldito remo, dado uma desculpa para me afastar e sumir dali. Bom, n�o exatamente nessa ordem, claro. O �nico motivo pelo qual n�o o fiz foi pela possibilidade de mais tarde ficar sozinha com Kurama. E mata-lo da maneira mais lenta e cruel que eu podia imaginar.

Quando o jantar terminou, me sentei em uma cadeira na sala, convenientemente afastada, com uma ta�a de champanhe na m�o. Vez por outra ouvia algu�m passar balan�ando os bra�os, chamando por Shuuichi Minamino para logo juntar-se a ele no meio da sala, onde assumia o papel de centro das aten��es com um sorriso educado, acenos ocasionais e coment�rios breves. A maioria dos que o cercavam eram mulheres jovens, usando vestidos curtos e sorrindo sedutoramente. Olhei para as minhas pr�prias roupas, os jeans desbotados e a camiseta azul larga demais. Qualquer um que n�o soubesse diria que eu era uma empregada irrespons�vel que resolvera se sentar discretamente para aproveitar-se da bebida da festa.

J� estava no quarto champanhe quando percebi que as pessoas em volta come�avam a se dissipar. Shiore agora se despedia de um casal � porta e o grupo em volta de Shuuichi tinha se reduzido �s mulheres que eu vira antes. Carranqueei, sentindo-me irritada por ele me largar ali a merc� de qualquer um que pudesse vir perguntar como nos conhecemos e nos vimos apaixonados, sem uma desculpa melhor que �� dessas coisas que acontecem na vida�, quando percebi sua express�o que tentava ao m�ximo camuflar o aborrecimento. Sorri ironicamente, sabendo exatamente o que eu tinha que fazer.

Aproximei-me lentamente por tr�s das garotas, falando apenas quando estava perto o suficiente para assust�-las com meu aparecimento repentino.

- Se divertindo muito, querido? � tive o cuidado de pronunciar a �ltima palavra como mais �nfase. � Quando voc� disse que ia encontrar um passatempo at� podermos ficar sozinhos eu imaginei que estivesse falando de jogar cartas ou algo assim. � balancei a cabe�a. � Esque�a Shuuichi, n�o vou aceitar ningu�m hoje partilhando da nossa festinha particular, voc� j� teve provas de que isso n�o d� certo.

As garotas me olharam como se eu tivesse duas cabe�as e trataram de se afastar. Kurama deu um pequeno sorriso antes de me encarar.

- Eu n�o sei se agrade�o por voc� ter me livrado delas ou se me mato antes que a minha m�e fique sabendo disso � ele cruzou os bra�os e intensificou o olhar. � Quanto champanhe voc� andou bebendo, Botan?

Quanto champanhe eu andei bebendo... Diabos que o carreguem! Quem ele pensa que � para controlar o que eu bebo? N�o estava fora do meu ju�zo ou teria feito um esc�ndalo e falado para quem quisesse ouvir que n�o est�vamos noivos coisa nenhuma, que provavelmente ele estava apenas tentando agradar a fam�lia, fingindo que tinha uma garota e pretendendo os enrolar com isso pelos pr�ximos cinq�enta anos. Olhei em volta, doida para avistar uma garrafa de onde eu pudesse beber um pouco mais. Felizmente n�o encontrei; de repente derramar a bebida na cabe�a dele tinha me parecido bem mais interessante.

- Voc� me deve uma explica��o!

Kurama aproximou-se como se para me confidenciar alguma coisa.

- Aquelas mulheres n�o significam nada para mim, meu bem, eu s� estava sendo educado � ele levou a m�o ao queixo pensativamente. � Sabe que voc� nunca me pareceu fazer o tipo ciumento?

- N�o, mas eu fa�o o tipo violento. Voc� tem cinco segundos para me dizer por que eu virei sua noiva de um dia para o outro ou vou bater com o remo na sua cabe�a.

Ele inclinou o pesco�o levemente para o lado.

- � uma quest�o de m�ltipla escolha?

Por um instante eu realmente estive a ponto de fazer exatamente o que acabara de falar. Kurama leu alguma coisa a respeito no meu olhar e me segurou pelo pulso, conduzindo-me para perto da janela onde poder�amos falar sem que ningu�m nos interrompesse. A caminho, os convidados piscavam e davam sinais de apoio. Quanto mais sorriam, mais irritada eu ficava. Talvez aquelas quatro ta�as de champanhe tivessem mesmo sido um pouco demais.

- Agora sim, voc� pode descarregar todo o seu �dio em cima de mim � Kurama disse, sempre sorrindo. Ele era reservado demais para deixar que os outros aprendessem sobre ele, mas uma coisa eu sabia, os �nicos sorrisos que ele espalhava t�o livremente eram os carregados de sarcasmo. � N�o economize palavras, Botan, nosso relacionamento � baseado na confian�a.

Eu levantei a m�o, com inten��o de dar-lhe socos no peito exatamente como fazem as mulheres despeitadas em filmes rom�nticos mesmo sabendo que n�o surtiria nenhum efeito. A cena n�o importava, desde que chamasse a aten��o de todos ao fato de que eu n�o era noiva dele. O problema era que eu n�o estava lidando com um simples rapaz rec�m-sa�do da adolesc�ncia a quem eu pudesse manipular com histerismo. Ele me segurou sem esfor�o algum.

- Que relacionamento? � perguntei com olhos estreitados. � Oh, sim, claro, voc� me disse �boa noite� hoje cedo. Acho que estava sendo educado para me convencer a dar uma volta com voc�, ir at� sua casa e virar sua noiva!

- � t�o ruim assim ser minha noiva? � ele lan�ou um sorriso ensaiado a um grupo de mulheres do outro lado da sala que, imediatamente, desmancharam-se em risadinhas. Girei os olhos. � Voc� viu? Nem todo mundo partilha da sua opini�o. Aposto que uma delas gostaria de casar-se comigo. Isso, claro, se n�s n�o estiv�ssemos juntos.

- Mas n�s n�o estamos!

Minha voz soou rouca e mais alta do que eu pretendera, mas foi uma coisa boa, uma vez que Kurama me olhou parecendo um pouco mais s�rio. A impress�o durou apenas at� o instante em que ele abriu a boca novamente.

- Se voc� est� chateada, podemos come�ar agora aquela festinha que da qual falou mais cedo... Tem mesmo certeza de que n�o quer convidar mais ningu�m?

Minhas m�os mais uma vez voaram contra ele, mas foram firmemente contidas antes de atingirem seu prop�sito. Quem era aquele e o que tinha feito com Kurama? N�o pude deixar de pensar que talvez eu tivesse ca�do nas m�os de algum youkai cujo ataque envolvesse gases alucin�genos. Mas, sendo assim, por que haveria eu de imaginar o gentil Shuuichi Minamino como um Casanova sarc�stico e levemente depravado em seus coment�rios?

- Se voc� n�o me der aquela explica��o, juro que vou gritar.

- N�o est� um pouco cedo para isso?

Meu rosto devia estar mais vermelho que os cabelos dele quando eu disse:

- Voc� n�o vai poder dizer que eu n�o avisei!

Eu teria gritado. Teria mesmo. Ia elevar minha voz pela sala, fazendo todos saberem que seu adorado Shuuichi tinha coagido uma menina inocente a vir com ele a uma festa, sem mesmo estar vestida para a ocasi�o, e a transformado em noiva dele quando o mais pr�ximo que foi falado sobre o assunto foram um ou dois coment�rios sucintos sobre como casamentos eram a �nica coisa que pareciam ser exatamente iguais em quaisquer dos mundos. O que me impediu foram os bra�os muito mais fortes de Kurama me impelindo contra a parede e os l�bios entreabertos dele empurrando-se contra os meus.

Mais tarde eu me perguntaria se estava suficientemente grogue para n�o reagir �quilo. Ou se talvez apenas n�o tivesse sido t�o ruim assim. 

Quando ele se afastou, parecia menos provocador e um pouco ansioso. Quanto a mim, fiquei piscando os olhos repetidamente, ainda tentando assimilar o que tinha acabado de acontecer. Kurama tinha me beijado. Simples assim. E agora estava me encarando como se esperasse que eu dissesse alguma coisa.

- O que eu estou fazendo aqui? � perguntei debilmente.

- Voc� quer dizer agora ou de uma maneira geral?

- Qual a diferen�a?

- Bom � disse ele. � De uma maneira geral, fui eu quem te trouxe aqui, mas agora mesmo voc� est� pensando no que dizer sobre o fato do seu noivo t�-la beijado sem pedir permiss�o. N�o que ele precise de uma. Confian�a, lembra?

- Voc� n�o � meu noivo � repeti, agora j� sem tanta �nfase.

- Isso me ajuda em alguma coisa?

- Se voc� admite isso, me ajuda a mudar de id�ia sobre gritar com voc� � respondi. � E... Eu... Acho que devo ir embora.

Virei-me para sair, encarando a porta como se fosse a �nica luz em uma sala completamente escura. De certa maneira era, levando em conta que Kurama estava come�ando a me deixar assustada. Ser� que dali em diante eu seria obrigada a conviver com dois Yusukes? E, espere um segundo, eu n�o tinha mesmo dado permiss�o para ningu�m me beijar!

Voltei para onde estava, encontrando aquele estranho que se parecia com um dos meus amigos de cabe�a abaixada, parecendo pensativo.

- Eu n�o dei mesmo permiss�o para que me beijasse. Que esp�cie de man�aco voc� �?

Ele levantou a cabe�a, com uma express�o que lembrava a de um menino envergonhado ao ser repreendido.

- Voc� gostou?

- N�o!

- N�o tentou se afastar...

- Voc� estava me segurando.

- Suas pernas estavam livres, podia ter tentado me chutar.

- Voc� queria que eu tentasse te chutar?

- N�o!

- Posso chutar agora se faz tanta quest�o.

- Eu j� ouvi falar de muitas fantasias estranhas, mas nenhuma envolvendo chutes...

Ele era absurdamente irritante. O que estava tentando fazer afinal? Se livrar de mim para o resto da vida? Pensei na situa��o calmamente, tentando tirar uma moral no meio de tudo aquilo. Kurama me leva at� a casa dele, me apresenta a todos como se eu fosse sua noiva sem pr�vio aviso, me beija... Isso sem pesar os coment�rios nada inocentes. Talvez ele estivesse drogado. Nada mais l�gico. Alguma das plantas dele o tinha atacado enquanto dormia, fazendo-o voltar aos anos das conquistas do Youko, se � que ele fizera alguma. Mas o que eu podia fazer a respeito? Bater nele at� que recuperasse o ju�zo?

- Eu n�o fiquei maluco, Botan, se � isso que est� pensando.

Dei um salto, surpresa pela interrup��o, e lancei a ele um olhar ofendido.

- � bom voc� n�o estar lendo a minha mente.

- Eu n�o tenho um jagan nem esse tipo de costume.

- Voc� tamb�m n�o costumava me dar beijos em p�blico, ou em qualquer outra ocasi�o, e menos ainda fazer coment�rios pervertidos.

Ele sorriu de lado.

- Voc� ainda n�o era minha noiva.

Aquela altura quase todos os convidados haviam ido embora, com exce��o de um homem que conversava com o padrasto de Kurama e uma menina na companhia do irm�o dele. A lembran�a do coment�rio sobre a festinha particular me voltou � mente e eu estremeci.

Quando o champanhe come�a a subir a cabe�a, est� na hora de ir embora.

- melhor eu ir mesmo. N�o sei o que voc� tem, mas espero que tenha passado amanh�. Assim n�s poderemos conversar ou voc� pode voltar a me ignorar como geralmente faz.

Mal dei um passo, senti novamente a m�o de Kurama me segurar. Virei-me furiosa, pronta a gritar com ele, mas a express�o s�ria de seu rosto me fez silenciar.

- Est� zangada? � ele perguntou.

- Zangada, eu? � respondi sarcasticamente. � Por voc� ter enlouquecido, encarnado o Casanova e mentido para toda sua fam�lia que n�s vamos nos casar? Por que eu estaria zangada? Isso acontece comigo pelo menos tr�s vezes por semana.

Eu esperava que Kurama entendesse que n�o tinha agido bem me usando naquela brincadeira de mau gosto e se desculpasse, mas, para meu completo desconcertamento, ele apenas usou a deixa para rir e me segurar com as duas m�os. Olhei de esgoela para tr�s bem a tempo de ver Shiore piscar para o filho e conduzir todos os que ainda estava na casa para a outra sala. Est�vamos prestes a ficar sozinhos.

- � agora que eu come�o a gritar?

- N�o me d� id�ias...

- Kurama!

- Botan?

- Eu odeio voc�! � empurrei-o para longe a cruzei os bra�os. Devia estar parecendo uma crian�a emburrada, mas n�o podia evitar. Aquele estranho a minha frente estava me deixando maluca.

- N�o odeia n�o � ele respondeu, sempre sorrindo.

- Ah, eu odeio sim.

De repente percebi que eu estava parada na sala, longe das m�os dele, com apenas o ar me separando da porta. Olhei para Kurama desafiadoramente. Quando ele percebeu o que eu estava fazendo, minhas pernas j� se moviam o mais r�pido poss�vel na dire��o da porta.

Parei ao tocar na ma�aneta, arriscando a olhar para tr�s. Ao contr�rio do que esperava, ele continuava no mesmo lugar. Suspirei desconsoladamente. Aquilo s� podia significar uma coisa.

- Est� trancada, n�o �? � perguntei.

- � voc� quem est� dizendo.

Ele come�ou a caminhar na minha dire��o e me encolhi contra a parede. Se olhares pudessem matar, estava certa de que o grande ex-ladr�o do Makai teria ca�do duro ali mesmo.

- Me deixe ir! � ordenei.

- T�o cedo? � ele aproximou-se o suficiente para sussurrar no meu ouvido. � A festa mal come�ou.

Kurama se afastou devagar, me olhando intensamente. Perguntei-me como nunca tinha percebido o quanto os olhos dele eram bonitos. Eu poderia passar uma vida inteira olhando para eles do jeito que estavam agora, com um brilho desprovido de sentimentos, um mist�rio oferecendo-se para ser desvendado. 

- Decidiu ficar mais um pouco?

Claro, ele tinha que falar com aquele tom debochado e estragar todo o clima.

- Por que eu?

- Como...?

- Por que eu? � repeti, esperando estar fazendo a pergunta certa. Se ele n�o queria dar uma explica��o para a palha�ada a qual me submeteu, que pelo menos me dissesse por tinha sido justamente eu a escolhida.

- Gosto de voc� � ele deu de ombros como se fosse a coisa mais obvia do mundo.

- Voc� n�o gosta de mim.

- Por que sente tanto prazer em me contrariar?

- Quando uma pessoa normal gosta de uma garota, ele a convida para sair, n�o arma uma festa de noivado surpresa! � defendi-me.

- Eu sou um Youko de mais de mil anos. Acha realmente que me encaixo no perfil de pessoa normal? � ele riu.

- Voc� tem um lado humano! Sabe muito bem...

- Voc� falou sobre cartas mais cedo... Voc� joga?

- Que?

- Cartas, sabe? Truco, p�quer, canastra...

Ok, Kurama estava mesmo maluco. Eu reclamo sobre as atitudes estranhas dele e vem me perguntar se jogo cartas. O que viria a seguir? Por que a galinha atravessa a estrada?

- N�o, eu n�o jogo cartas � respondi impacientemente. � N�o me diga que teve uma vontade s�bita de jogar em meio a nossa conversa.

- N�o, eu tamb�m nunca aprendi a jogar nada disso, o que pensa? Que sou alguma esp�cie de desocupado?

Irritante!

- Ent�o...

- Mas eu proponho um jogo. Est� vendo aquela estante do outro lado da sala? � ele apontou para um grande m�vel de madeira de lei colado � parede oposta. � Dentro daquela primeira gaveta h� um jogo completo de cartas. Sugiro que eu v� at� l� e a traga at� aqui, ent�o cada um de n�s vai retirar uma carta...

- Um est�pido jogo para ver quem tira a carta maior? � girei os olhos entediadamente.

- Isso mesmo. Se voc� ganhar, eu te deixo ir embora.

As coisas estavam come�ando a ficar interessantes.

- E o que acontece se voc� ganhar?

- Adivinha.

Ele n�o esperou que eu respondesse, aparentemente estava declarando o que �amos fazer, n�o pedindo minha opini�o. O assisti silenciosamente atravessar a sala at� o arm�rio, abrir a gaveta e tirar o ma�o de cartas para em seguida voltar a fech�-la. Ele olhou para mim com um sorriso provocativo e fez o caminho de volta. �Adivinha�, ele tinha dito. O que aquilo podia significar? Ele n�o podia estar falando s�rio sobre festas particulares, podia? Aquele era Kurama, droga! Um pouco fora de si, mas ainda Kurama. Eu n�o tinha motivo para come�ar a ficar nervosa.

Mas eu estava ficando assim mesmo.

Quando ele parou na minha frente e estendeu as cartas, comecei a me arrepender por ter ficado calado ao inv�s de negar escandalosamente. O que aconteceria seu eu perdesse? Olhei para o lado, para a sala onde os convidados restantes na festa deveriam estar, mas as luzes estavam apagadas agora. S� podia ser uma esp�cie de conspira��o para me deixar sozinha com aquele Kurama levemente pervertido.

- Voc� primeiro.

Ele estendeu as cartas para mim com um sorriso malicioso. Eu tinha dito levemente?

Respirei fundo e retirei a primeira carta que toquei. N�o queria estender aquilo por muito tempo. Que diferen�a fazia escolher se eu n�o sabia mesmo qual era qual?

- Valete de espadas! � Kurama declarou, sempre com um sorriso.

Olhei para a carta em minha m�o e suspirei aliviada. Pelo que eu sabia sobre seus valores, tinha sido uma escolha de sorte, eu tinha muitas chances de sair vencedora.

- Escolha e vamos acabar logo com isso � ordenei mais confiante. � Preciso ir embora.

Ele nem sequer olhou para o que estava fazendo, reorganizou o ma�o e retirou a carta de cima.

- �s de espadas!

- Isso! � gritei.

- Eu ganhei � ele sorriu.

- Ganhou nada! �s n�o � o mesmo que um? Minha carta vale mais que a sua.

- Se conhecesse um m�nimo sobre jogos saberia que o �s geralmente vale mais do que qualquer outra carta. Claro que eu ganhei! Quanto aquela festa...

- Trapaceiro!

Eu sabia! Eu tinha tido um pressentimento que aquilo n�o ia dar certo. Kurama s� podia estar b�bado. Onde eu estava com a cabe�a quando aceitei disputar um jogo de cartas com algu�m nesse estado?

- Voc� � uma m� perdedora, Botan... � disse ele sempre com aquele sorriso.

- Sou nada, voc� que est� tentando me enrolar.

- Quer tirar outra vez?

- N�o!

- Eu digo que eu ganhei...

- E eu digo que voc� perdeu.

- Ent�o acho que n�s dois ganhamos...

- Hum? O que quer dizer exatamente com isso?

Ele se aproximou mais de mim, prendendo meu corpo contra a parede. Eu podia sentir a respira��o dele tocando meu rosto enquanto ele falava, os olhos verdes me olhando novamente daquela maneira intensa e hipn�tica.

- Eu tenho um lado youkai que n�o sabe receber uma recusa, Botan. Quando eu quero uma coisa, dou um jeito para que todos saibam que ela pertence a mim e a mais ningu�m.

- Eu... Eu n�o sou uma coisa � balbuciei em um tom de voz s� um pouco mais alto que um sussurro.

- Eu sei.

L� estava eu, com as m�os firmemente cerradas em punho, o corpo colado a parede, sem emitir nenhuma rea��o enquanto Kurama segurava o meu rosto e me beijava novamente. Lembrei-me do que ele disse antes, sobre meus p�s estarem livres, mas n�o tinha a m�nima vontade de chut�-lo. Inferno se eu queria que ele parasse. Os movimentos tranq�ilos dos l�bios dele, as m�os que seguravam firmemente as minhas faces, tudo era de um contraste violento a toda a atitude descarada de antes. Ele tinha me deixado confusa sobre suas verdadeiras inten��es e eu sabia que j� tinha tirado dele o m�ximo do que ousaria falar claramente. O que eu podia fazer al�m de aproveitar?

Ele afastou-se de mim lentamente, ainda com aquele olhar. Abri a boca para dizer alguma coisa, mas fui interrompida com sua afirma��o pronunciada com descaso:

- Voc� pode ir embora agora.

- Que?

- Na verdade, a porta estava aberta o tempo todo � ele deu de ombros. � J� que n�s dois ganhamos, acho que � justo que eu atenda o seu desejo.

- Mas... � Eu n�o sabia o que dizer. Primeiro ele me seduzia descaradamente e quando eu estava come�ando a apreciar a coisa, me mandava ir embora. Homens! Youkais! Ah, droga... � Voc� quer que eu v� embora?

- Est� ficando tarde.

- Tarde demais para uma garota indefesa andar sozinha pela rua!

- A ilumina��o p�blica do meu bairro � excelente. Al�m disso, voc� chega em casa voando, se � que me entende.

- Vai mesmo me deixar ir embora?

- At� me retiro se a deixo mais � vontade.

- Tem certeza...?

- Eu sou um cavalheiro.

- Mas e se eu n�o quiser ir embora?

- N�o pode ficar na minha sala a noite toda.

Desgra�ado! Era aquele o jogo dele. Primeiro me deixava completamente maluca com aquela conversa estranha sobre festas e nem quero lembrar mais o que, depois me fazia colocar os malditos horm�nios acima dos meus pudores e agora agia como se nada demais tivesse acontecido.

- Voc� n�o vai me fazer implorar!

- Mas implorar o que? � ele sorriu inocentemente.

- Eu nunca odiei ningu�m tanto quanto te odeio nesse momento, Kurama.

- Eu j� disse que voc� fica especialmente ador�vel quando est� zangada?

Quando eu vi o sorriso voltar e ele me encarar novamente com aquela express�o no olhar, n�o tive nenhuma d�vida do que aconteceria.

- Pensando bem, acho que n�o posso deixar minha noiva sair sozinha por ai, mesmo que ainda n�o seja t�o tarde, n�o � mesmo?

- Quer saber, acho que o �s realmente � a carta de maior valor.

E no final das contas, acabou que ele tinha raz�o. A festa estava apenas come�ando.

 

 

 

 

FIM

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